Ministério Público averigua surto em Reguengos de Monsaraz

O Ministério Público (MP) indicou que "está a proceder a averiguações" sobre o surto de covid-19 que surgiu num lar em Reguengos de Monsaraz, no distrito de Évora, que já provocou 16 mortos.

Questionado pela agência Lusa sobre a eventual abertura de um inquérito, o magistrado do MP coordenador da Comarca de Évora respondeu: "O Ministério Público está a proceder a averiguações sobre o assunto e situação em causa".

Com a situação no lar, o concelho de Reguengos de Monsaraz regista o maior surto no Alentejo da doença provocada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, com um total, segundo dados desta quinta-feira (9 de julho), de 131 casos ativos, dos quais 85 na Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS) e 46 na comunidade.

Já se registaram 16 mortes e 14 pessoas curadas (cinco funcionários do lar e nove pessoas da comunidade). Os óbitos foram 14 idosos utentes do lar, um profissional da instituição e uma pessoa da comunidade.

Entretanto, o lar foi alvo de descontaminação geral e, amanhã (sexta-feira 10), decorre uma limpeza e devem arrancar trabalhos de pintura, que se prolongarão por "três a quatro semanas".

"Com certeza que, dentro de três a quatro dias, devemos ter capacidade para ter uma zona do edifício preparada, com 10, 15 ou 20 camas, mas, depois, vamos continuar porque o lar tem cinco alas, duas no rés-do-chão, duas no primeiro andar e outra num edifício contíguo", disse o autarca José Calixto.

Já concretizada foi a "operação de grande envergadura de descontaminação geral" do edifício do Lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS), "com total sucesso", na quarta-feira, informou o município, em comunicado enviado aos jornalistas com os dados mais recentes sobre a situação epidemiológica do concelho.

A intervenção, "devidamente articulada com as Forças Armadas Portuguesas e com o Ministério da Defesa", envolveu "33 militares", pode ler-se no comunicado.

José Calixto explicou que a operação consistiu na "pulverização de todo o espaço através de um processo de atomização com descontaminante".

"O que os militares fizeram foi pulverizarem e deixarem partículas em suspensão, átomos em suspensão, durante várias horas. Hoje, por volta das 09:00, com o comando militar, fomos vistoriar todo o espaço, abri-lo e arejá-lo para que, esta tarde, uma equipa possa limpar os resíduos do produto utilizado e que é algo gorduroso, nem sequer permite que as pessoas andem por ali, sob risco de escorregarem e caírem", esclareceu.

Na sexta-feira de manhã decorre outra limpeza mais geral, como preparação do que vai ser a fase seguinte", prevista começar no mesmo dia e que consiste "sobretudo em pinturas e no envernizamento de corrimões, camas ou outros espaços", para "tornar o mais lavável possível todas as superfícies", indicou.

Até hoje, "não há formalmente" qualquer utente do lar curado, reconheceu o presidente da câmara, mas a ideia é que, mal os idosos tenham dois testes negativos, possam "começar a voltar para o lar", de forma progressiva, já com os arranjos efetuados.

José Calixto revelou à Lusa que, na quarta-feira, "no primeiro teste realizado, houve seis" idosos "negativos, dos 56 utentes do lar infetados" que se encontram nas instalações do pavilhão multiusos do parque de feiras e exposições.

"Já começaram a aparecer negativos, um sinal muito grande de esperança, mas só são considerados curados após dois testes", ressalvou, prevendo que os idosos realizem esse segundo teste "dentro de alguns dias".

Portugal contabiliza pelo menos 1.644 mortos associados à covid-19 em 45.277 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Idoso de 86 anos é a 16.ª vítima

A morte de mais um idoso, de 86 anos, utente do lar de Reguengos de Monsaraz, elevou para 16 o número de óbitos relacionados com o surto de covid-19 neste concelho alentejano, divulgou a câmara.

No comunicado divulgado com a última atualização do boletim epidemiológico do concelho, a Câmara de Reguengos de Monsaraz (Évora) informou que o doente infetado com covid-19, que estava internado no Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE), morreu "ao final" de quarta-feira, naquela unidade hospitalar.

O número de vítimas mortais resultantes deste surto, que foi detetado, a 18 de junho, no lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS), ascende agora a 16, tendo três dos óbitos ocorrido na instituição de apoio à terceira idade e as outras 13 pessoas morrido no HESE.

Os óbitos foram 14 idosos utentes do lar, um profissional da instituição e uma pessoa da comunidade.

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