Médico cubano condenado por violação de cinco doentes foi expulso da Ordem

O médico cubano condenado a cinco anos e meio de prisão por cinco crimes de violação quando trabalhava no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, nos Açores, foi expulso da Ordem dos Médicos.

O presidente do Conselho Disciplinar do Sul da Ordem dos Médicos, Carlos Pereira Alves, disse que a decisão de expulsar o médico cubano Aliesky Valdes foi tomada esta terça-feira na habitual reunião mensal daquele órgão da Ordem dos Médicos. Fica proibido de exercer em Portugal e a decisão irá ser comunicada às congéneres europeias da Ordem.

Em janeiro de 2018, o tribunal de Ponta Delgada tinha condenado aquele médico cubano a seis anos de prisão pela prática de cinco crimes de violação em 2016, aproveitando-se da ida das mulheres ao serviço de urgência e da confiança que as pacientes nele depositavam. O Tribunal da Relação de Lisboa confirmou depois a condenação, com redução de seis meses na pena, a cinco anos e meio de prisão.

Apesar da condenação do clínico, em 2018 o tribunal de Ponta Delgada entendeu na altura que não devia aplicar a proibição do exercício da profissão de médico, alegando que teria de ser a Ordem dos Médicos a fazê-lo, caso assim o entendesse. A Ordem esperou até que o recurso do médico fosse apreciado na Relação. Em abril passado, foi suspenso pela Ordem mas só agora se efetiva a expulsão.

Os crimes remontam a 2016, três meses depois de Valdes ter começado a trabalhar nas urgências do Hospital do Divino Espírito Santo. Antes de ser colocado em Ponta Delgada, trabalhou num centro de saúde em Salvaterra de Magos, ao abrigo do protocolo assinado por Portugal e pelo Governo cubano.

Entretanto, o Conselho Disciplinar do Sul da Ordem dos Médicos continua ainda a aguardar por alguns elementos fundamentais para decidir sobre vários processos pendentes sobre o obstetra Artur Carvalho, que não detetou malformações graves num bebé, que acabou por nascer sem olhos, sem nariz e sem parte do crânio no dia 7 de outubro de 2019 no Hospital de São Bernardo, em Setúbal.

"Continuamos à espera do parecer do colégio da especialidade", disse à agência Lusa Carlos Pereira Alves, que considerou não haver ainda uma demora excessiva na resposta.

Carlos Pereira Alves lembrou, no entanto, que o clínico setubalense já foi suspenso por um período de seis meses e afirmou-se convicto de que haverá uma decisão definitiva do Conselho Disciplinar antes de terminar esse período de suspensão.

Questionado sobre o esforço anunciado pelo presidente da Ordem dos Médicos para melhorar a capacidade de resposta ao elevado número de queixas, Carlos Pereira Alves disse que "neste momento o Conselho Disciplinar do Sul já tem "15 relatores efetivos, quando há poucos meses tinha apenas cinco ou seis".

"Mas agora terá que haver também um reforço do apoio de secretariado, administrativo e informático, porque nos últimos três anos têm estado a entrar cerca de 600 reclamações por ano, ou mais, quando há poucos anos recebíamos cerca de metade", disse.

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