Mais de mil hectares já foram rearborizados no Pinhal de Leiria

Em 2017 arderam mais de nove mil dos 11 mil hectares do Pinhal de Leiria. Madeira ardida mais valiosa já foi retirada.

Nuno Banza, presidente do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), afirmou esta quarta-feira que já foram rearborizados 1039 hectares do Pinhal do Rei, em Leiria.

"Posso dizer hoje que estão rearborizados 1 039 hectares de um total de 2 520 que devem ser intervencionados", disse Nuno Banza, que falava na Comissão de Agricultura e Mar, no parlamento, a requerimento do Bloco de Esquerda.

De acordo com o presidente do ICNF, já foi retirada a madeira ardida do Pinhal do Rei, estando previsto que, até 2022, esteja concluído todo o plano previsto e que inclui a intervenção e beneficiação em 38 quilómetros de rede viária florestal.

Nuno Banza assegurou aos deputados que "a madeira mais valiosa já foi cortada", reiterando que, desse plano, estão "cumpridos 3.600 hectares".

"O ICNF tem vindo a cumprir com a identificação da madeira no terreno e com o plano de corte. Praticamente toda a madeira identificada como mais valiosa já foi retirada, sendo que a madeira com destino à industria dos painéis e da energia, considerada de menor valor, será retirada seguindo as indicações da comissão científica, designadamente na orientação de que não deve ser colocada toda no mercado de venda", pois pode não ser toda comprada e o Estado não conseguir retirá-la.

O planeamento florestal será realizado em décadas, o próprio pinhal de Leiria é centenário, a escala temporal não é aquela que gostaríamos mas é a escala natural de um pinhal e essa não conseguimos controlar

O responsável alertou ainda que "o tempo florestal é de décadas", "não se compadecendo com metas de curto prazo" no âmbito da reflorestação, reconhecendo, no entanto, que há medidas que têm de ser feitas a curto prazo. "O planeamento florestal será realizado em décadas, o próprio pinhal de Leiria é centenário, a escala temporal não é aquela que gostaríamos mas é a escala natural de um pinhal e essa não conseguimos controlar", afirmou.

Nuno Banza recordou que, nos 10% de floresta que não ardeu, em 15 de outubro de 2017, já foram realizadas várias intervenções, entre as quais a limpeza de gestão de 200 hectares, além do controlo de espécies invasoras.

Apesar de, até ao momento, só ter havido uma época de reflorestação desde os incêndios de 2017, Nuno Banza lembrou que têm de ser "respeitadas as épocas de reflorestação", habitualmente no outono, devido ao calor do verão que pode 'matar' a plantação.

O presidente do ICNF avançou que, no Pinhal do Rei, onde há áreas de dunas litorais, aquilo que será reposto é a espécie de pinheiro bravo, considerando que o que irá valorizar o pinhal será a "criação de mosaicos diversos, com outras espécies e que criará uma maior resiliência do próprio" pinhal.

O responsável acrescentou ainda que, apesar do desejo das pessoas em ver cortada toda a madeira ardida, há zonas em que esse corte não é defendido pelos especialistas, devido à proteção do cordão dunar.

Aos deputados, Nuno Banza avançou que o organismo a que preside iria revelar proximamente a verba que resultou da venda da madeira queimada e a quantidade da mesma, entre outros dados que, no momento, não tinha disponíveis.

Os incêndios de 15 de outubro de 2017 que assolaram a Mata Nacional de Leiria, conhecida como "Pinhal de Leiria" ou "Pinhal do Rei", destruíram cerca de 190 mil hectares de floresta, território correspondente a cerca 45% da área ardida durante o ano de 2017.

Em dados fornecidos à Lusa a 21 de junho, o ICNF avançou que, em 2017, efetuou ações de estabilização de emergência pós-incêndio, que, em 2018, realizou ações de controlo de plantas exóticas invasoras e que, em 2018 e 2019, foram executadas ações de rearborização em 1 039 hectares.

O ICNF revelou ainda os investimentos programados entre 2019 e 2022, num total de 4,4 milhões de euros. Segundo o ICNF, vão ser investidos cerca de dois milhões de euros na rearborização de ardidos, numa área de 1 482,12 hectares, e 1,4 milhões de euros na beneficiação de 28,3 quilómetros de rede viária florestal.

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