Doentes em cuidados intensivos aumentam. Mais casos e mortes no norte

Mais 5290 casos e 71 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas. Internamentos diminuíram ligeiramente, mas os doentes em cuidados intensivos aumentaram para 517, o novo máximo. Ministra avisa: "Não vamos poder ter um Natal igual ao dos anos anteriores"

Portugal registou mais 5290 casos de covid-19 e 71 óbitos nas últimas 24 horas. Segundo o boletim epidemiológico da Direção Geral da Saúde (DGS) desta quarta-feira, há assim um aumento de 1371 infetados face a terça-feira. Já os internamentos verificaram uma ligeira descida. Há agora 3251 doentes internados em hospitais (menos 24 do que na véspera), incluindo 517 (mais 11 do que na terça-feira) em unidades de cuidados intensivos (UCI).

No dia em que o País entra na fase mais crítica em termos de contágios - 25 a 30 de novembro, segundo a estimativa revelada pelos especialistas na última reunião do Infarmed -, há mais 11 doentes internados em unidades de cuidados intensivos. O que significa que há apenas 52 camas vagas, tendo em conta que, segundo a ministra da Saúde, Marta Temido, há 569 camas para doentes covid-19 em UCI.

O total de infetados no País é agora de 274 011. Desses 80 528 ainda estão ativos, mais 96 do que na véspera. Os recuperados são agora 189 356, depois de mais 5123 pessoas terem tido alta médica nas últimas 24 horas.

A região norte concentra agora 61 % das novas infeções. Dos 5290 novos infetados de hoje, 3224 são do norte, que assim "mantém uma incidência perto dos 1300 novos casos por 100 mil habitantes em 14 dias". Segue-se Lisboa e Vale do Tejo com mais 1177 infeções confirmadas, o centro com mais 506, o Alentejo com mais 256 e o Algarve com mais 81 infetados. A Madeira reportou mais 30 infeções e os Açores 16 doentes covid-19.

Quanto aos 71 mortos (61 tinham 70 anos ou mais) dividem-se por quatro regiões: 35 na região norte, 25 na região de Lisboa e Vale do Tejo, 10 na região centro e uma morte no Alentejo. O Algarve, a Madeira e os Açores continuam a não registar qualquer morte

Marta Temido: "Não vamos poder ter um Natal igual ao dos anos anteriores"

Marta Temido fez esta manhã algumas visitas nas zonas mais afetadas, elogiando "a capacidade que o SNS" em dar resposta às necessidades. "Todas as equipas com quem conversámos manifestaram essa especial preocupação em garantir que, ao mesmo tempo que se responde à pandemia, manter a capacidade de atendimento nos cuidados de saúde primários", explicou esta quarta-feira a ministra da Saúde, no Porto.

Mantendo "a confiança em todos os profissionais de saúde que têm feito um esforço muito significativo por continuar a responder, sacrificando a vida pessoal, familiar e os seus momentos de descanso", a governante apelou "a todos os portugueses" que ajudem a travar as cadeias de transmissão.

Segundo Marta Temido, o risco de transmissão em Portugal é de 1,07 - cada pessoa infetada tem a capacidade para contagiar 1,07 outras -, sendo essencial que este valor se aproxime cada vez de 1 e depois baixe desse valor "de forma sustentada, durante vários dias".

Questionada sobre eventuais medidas específicas para o Natal, Marta Temido lembrou que essa não é a luta atual: "Neste momento, estamos ainda a lutar para chegar o melhor possível aos primeiros dias de dezembro." Mas há uma coisa que para a ministra é muito clara. "Não vamos poder ter um Natal igual ao dos anos anteriores porque, por muito que a situação epidemiológica melhore, só daqui a algum tempo é que vamos perceber exatamente qual é o nível de restrição que teremos nessa altura do ano", avisou.

Já quanto aos planos de distribuição e vacinação da covid-19, eles serão conhecidos "nos próximos dias", segundo Marta Temido, acrescentando que a Comissão Técnica de Vacinação reúne ainda hoje ou amanhã. Comissão essa que é composta por "peritos independentes, que funciona na alçada da DGS e que está a desenvolver o seu trabalho para as vacinas contra a covid-19, mas que intervém em todas as vacinas, na sua utilização e introdução e planificação".

Não deixes cair a máscara. Campanha apela ao uso de máscaras reutilizáveis a bem do ambiente

O Governo apelou ao uso de máscaras respiratórias reutilizáveis para reduzir os custos ambientais das descartáveis, que podem representar seis toneladas de plástico a ir parar aos mares todos os meses, só a partir de Portugal. Segundo a secretária de Estado do Ambiente, Inês Santos Costa, as máscaras reutilizáveis são "completamente seguras".

A a nível mundial estão a ser usadas "120 mil milhões de máscaras descartáveis todos os meses". E, desses, "150 milhões" por mês são da responsabilidade de Portugal, país onde é obrigatória usar máscara na rua, locais públicos e no trabalho, segundo o novo estado de emergência.

Desde a meia noite de terça-feira que Portugal continental está sob novas restrições. A segunda fase do estado de emergência assenta em regras diferenciadas para os quatro níveis pandémicos - "extremamente elevado", "muito elevado", "elevado" e "moderado".

Há regras que são nacionais, como a proibição de circulação entre concelhos nos dias antes e depois dos feriados de 1 e 8 de dezembro, mas que são agravadas no caso dos concelhos em risco elevado ou extremamente elevado, como o recolher obrigatório.

O objetivo é travar o contágio crescente no País e salvar o Natal. "Temos de continuar a nossa vida, mas minimizando os riscos. Iremos ter Natal, com mais ou menos pessoas."

Itália com quase 26 mil casos diários. México é o país que regista mais mortes por dia

Itália reportou mais 25 853 casos de covid-19 e 722 mortes esta quarta-feira. É o quarto dia seguido com mais de 20 mil casos diários, no país que contabiliza 1 480 875 infeções e 52 028 mortes. Mais casos num dia só nos EUA (46 140) e Índia (35 947). Já a Rússia reportou 23 675 novas infeções e mais 507 mortes.

Na escala de novos casos diários destque ainda para a Polónia (15 362) e a Ucrânia (13 882). Os polacos têm agora a terceira maior incidência mortal diária, com 674 mortes nas últimas 24 horas, sendo apenas superados pelos italianos (722) e os mexicanos (813).

A nível mundial, há agora mais de 60 milhões de doentes (60 240 061) e 1 417 844 milhões de vítimas mortais. Os EUA lideram no número de casos (13 001 285) e mortes (266 529), segundo dados do Worldometers.

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