Mais 278 casos de covid-19. Surtos na Póvoa de Varzim e em Vila do Conde fazem aumentar casos no norte

O boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde de hoje revela ainda mais três vítimas mortais por causa do novo coronavírus. Lisboa e Vale do Tejo tem 58% dos novos casos e o norte 32%.

Em Portugal, nas últimas 24 horas, morreram mais três pessoas e foram confirmados mais 278 casos de covid-19 (um crescimento de 0,5% em relação ao dia anterior). Segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta quarta-feira (12 de agosto), no total, desde que a pandemia começou, registaram-se 53 223 infetados, 38 940 recuperados (mais 180) e​ 1764 vítimas mortais no país.

Há, neste momento, 12 519 doentes portugueses ativos a ser acompanhados pelas autoridades de saúde. São mais 95 pessoas do que ontem.

160 dos 278 infetados de hoje (58%) têm residência na região de Lisboa e Vale do Tejo. Os restantes casos estão distribuídos pelo norte (mais 89 - 32%), centro (12), Alentejo (dez), Algarve (quatro), pela Madeira (dois) e pelos Açores (um)

Destaca-se, portanto, um aumento de casos no norte do país. Ontem, tinham sido notificadas mais 34 infeções. Hoje são mais 89. "Isto deve-se sobretudo a situações de surtos ligados a uma área geográfica relativamente circunscrita, que estamos a acompanhar com uma maior proximidade", explicou a ministra da Saúde, Marta Temido, em conferência de imprensa.

O norte tem, neste momento, 42 surtos ativos, mas aqueles a que a governante se refere como mais preocupantes são os das áreas de saúde da Povoa de Varzim e de Vila do Conde.

O índice de transmissibilidade do vírus, conhecido como Rt (quantas pessoas um doente infeta, em média), calculado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, para os dias 3 a 7 de agosto, "situa-se agora nos 0,99", informou Marta Temido. No entanto, a ministra fala numa "tendência decrescente" que "tem sofrido uma ligeira inversão".

A taxa de incidência dos novos casos de doença nos últimos sete dias encontra-se agora nos 13,4 por cem mil habitantes. Já a dos últimos 14 dias é de 25,4 por cem mil habitantes, acrescentou ainda a responsável pela pasta da Saúde.

Quantos aos três óbitos registados nas últimas 24 horas, que correspondem a pessoas com mais de 80 anos, estes localizaram-se no norte (dois) e em Lisboa e Vale do Tejo (um).

A taxa de letalidade global do país é hoje de 3,3%, subindo aos 15,7% no caso das pessoas com mais de 70 anos - as principais vítimas mortais.

Mais duas pessoas hospitalizadas, mais cinco doentes graves

Nesta quarta-feira, estão internados 367 doentes (mais dois do que no dia anterior) e nos cuidados intensivos há agora 40 pessoas (mais cinco do que na véspera).

O boletim da DGS de hoje indica também que aguardam resultados laboratoriais 1292 pessoas e estão em vigilância pelas autoridades de saúde mais de 36 mil. O sintoma mais comum entre os infetados é a tosse (que afeta 34% dos doentes), seguida da febre (27%) e de dores musculares (21%).

Há 161 surtos ativos no país

Durante a conferência de imprensa, a ministra da Saúde atualizou ainda o número de surtos ativos no país: 161. Quarenta e dois destes localizam na região norte, "um número que se tem mantido estável, com alguns surtos que se têm encerrado e outros aberto", continuou Marta Temido. Em Lisboa e Vale do Tejo, registam-se 82, a que acrescem oito no centro, 16 no Algarve e 13 no Alentejo.

Lares "são uma das principais preocupações", mas "evolução tem sido positiva"

Questionada sobre as condições sanitárias nos lares, a ministra da Saúde afirmou que "as estruturas residenciais para idosos são uma das principais preocupações face à vulnerabilidade especial das pessoas que nelas estão institucionalizadas e, por isso, desde o primeiro surto, estabelecemos regras".

Apesar disto, Marta Temido acredita que "Portugal tem registado uma evolução muito positiva" nas estruturas residenciais para idosos. Apresentando como exemplo a diminuição do número de infeções em lares: em abril, de acordo com a tutela, havia casos positivos em 360 instituições; a 11 de agosto havia infeções em 69 lares.

Marta Temido sublinhou a sua preocupação com os mais velhos e referiu que o ministério estava a analisar o relatório sobre a situação do lar em Reguengos de Monsaraz, também alvo de investigarão pela Administração Regional de Saúde do Alentejo, lembrando, no entanto, a complexidade da fiscalização aos lares. Portugal tem 2500 instituições residenciais para idosos, com 99 234 utentes e 60 951 trabalhadores.

Vacina. "Não se pode sacrificar a segurança nem a eficácia"

Quanto à vacina para a covid-19 anunciada pela Rússia, nesta terça-feira, Marta Temido disse estar a acompanhar a evolução da mesma, apontando que Portugal, através do Infarmed, está a trabalhar com a Agência Europeia do Medicamento para ser um dos países a receber uma vacina eficaz quando existir.

"É muito importante seguir as recomendações da OMS", disse, lembrando que a necessidade de acelerar processos é real, mas sem "sacrificar nem a segurança nem a eficácia terapêutica".

20,5 milhões de casos em todo o mundo

O novo coronavírus já infetou mais de 20,5 milhões de pessoas no mundo inteiro até esta quarta-feira e provocou 746 343 mortes, segundo dados oficiais. Há agora 13,4 milhões de recuperados.

No total, os Estados Unidos da América são o país com a maior concentração de casos (5 305 957) e de mortes (167 749). Em termos de número de infetados acumulados no mundo, seguem-se o Brasil (3 112 393), a Índia (2 332 908) e a Rússia (902 701). Portugal surge em 46.º lugar nesta tabela.

Quanto aos óbitos, depois dos Estados Unidos, o Brasil é a nação com mais mortes declaradas (103 099). Depois, o México (53 929) e o Reino Unido (46 628).

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