Mais 21 mortes e 657 infetados em Portugal. Casos de covid-19 sobem 3,3%

O país tem agora, no total, 20 863 casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus (um aumento de 3,3% em relação a ontem) e 735 vitimas mortais (mais 2,9%), segundo o boletim da DGS desta segunda-feira.

Nas últimas 24 horas, morreram mais 21 pessoas (2,9%: o menor aumento desde o dia 6 de abril) e foram confirmados mais 657 casos de covid-19 (subida de 3,3%), em Portugal. Segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS), desta segunda-feira (20 de abril), há agora no país 20 863 infetados, 735 vítimas mortais e 610 recuperados.

Estão internadas 1208 pessoas (menos 35 que este domingo), destas 215 encontram-se nos cuidados intensivos (menos nove). O que significa que 87,8% dos doentes estão a ser tratados em casa. Aguardam resultados laboratoriais 4739 pessoas e estão em vigilância pelas autoridades de saúde mais de 30 mil pessoas.

Continua a não registar-se nenhum óbito abaixo dos 40 anos de idade e a taxa de letalidade do país mantém-se nos 3,5%, sendo de 12,8% acima dos 70 anos. ​A maioria das vitimas mortais são idosos e há um equilíbrio entre o sexo feminino e o masculino no número de mortes: 368 homens e 367 mulheres. Isto apesar de 59% dos casos de infetados dizerem respeito ao sexo feminino.

O pico da doença em Portugal terá acontecido entre 23 e 25 de março, informou a ministra da Saúde, Marta Temido, em conferência de imprensa, este fim de semana. O que não significa que as medidas de contenção possam ser levantadas já, uma vez que, segundo a diretora-geral da Saúde, está comprovado que quando há uma descompressão os casos aumentam. Maio é, neste momento, o mês apontado pelo primeiro-ministro para se começar a aliviar o confinamento social.

Até lá, o "SNS continua a preparar-se para lidar com a pandemia, mantendo a atividade habitual", disse o secretário de estado da Saúde, António Lacerda Sales, esta segunda-feira, em conferência de imprensa, no ministério da Saúde.

António Lacerda Sales foi médico ortopedista e, por isso, não resiste à comparação: "operei muitas ancas, joelhos, articulações; acompanhei muitas operações dos meus doentes. E lembro-me muito bem dos receios após as cirurgias", recorda, dizendo que nesses momentos era preciso estar lá, explicar e dar confiança. "É exatamente isso de que precisamos. Os portugueses têm receios e incertezas e, por isso, mais do que nunca é preciso reforçar a capacidade do nosso Serviço Nacional de Saúde (SNS)".

Taxa de ocupação dos cuidados intensivos é de 54%

Ainda segundo o secretário de estado da Saúde, está a ser utilizada apenas metade (54%) da capacidade dos serviços que recebem os doentes mais críticos. Adiantando ainda que, este domingo, chegaram ao país mais 66 ventiladores, vindos da China. Trata-se de uma encomenda feita pelo ministério da Saúde de 508 ventiladores para reforçar o SNS, que sofreu atrasos na entrega por causa de uma alteração das regras impostas pela China.

"Esses ventiladores serão distribuídos de imediato por todo o país. Destes, 40 ficarão na região Norte e Centro. As restantes 23 unidades serão distribuídas por hospitais de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve", detalhou.

Estão internadas nos cuidados intensivos menos nove pessoas que no dia de ontem, ou seja, 215 infetados com o novo coronavírus.

No entanto, o número de recuperados (610) mantém-se inalterado pelo terceiro dia consecutivo. O motivo será o facto de esta ser uma doença prolongada e de os doentes terem de apresentar dois testes negativos para serem considerados curados.

Sobre o aumento do número de casos suspeitos no boletim da DGS, Graça Freitas indicou durante a conferência de imprensa, que esta subida está de acordo com a estratégia nacional, que prevê "captar o máximo de pessoas possíveis para fazer os testes", disse. "Neste momento, utilizamos no SNS uma malha muito larga. Preferimos apanhar muitos casos que não sejam positivos a deixar passar um caso positivo. Todas as pessoas que ligam para o SNS24 e que apresentam sintomas - mesmo que sejam ligeiros - ficam como suspeitos", acrescenta a diretora-geral da Saúde.

Portugal vai fazer ensaios clínicos ao plasma de doentes recuperados

Portugal vai começar a realizar ensaios clínicos ao plasma de doentes recuperados de covid-19, devendo este estudo arrancar em maio, anunciou o secretário de Estado da Saúde.

"Existe uma vontade grande por parte de diversas instituições de o fazer em termos de ensaios clínicos numa fase inicial", disse António Lacerda Sales na conferência de imprensa diária realizada na Direção-Geral da Saúde.

O secretário de Estado afirmou que "estão incorporados nesta vontade" a DGS, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) e o Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde), que estão neste momento a analisar um conjunto de critérios e de fatores, como o consentimento informado e a "tecnologia para anticorpos neutralizantes".

Norte tem mais de metade dos casos do país

A maioria dos casos (60%) continua a situar-se no norte do país (12543 casos e 424 mortes), onde todos os idosos em lares deverão ser testados até ao início de maio, de acordo com a diretora-geral da Saúde. De ontem para hoje, a região aumentou em 3,3% o número de infetados.

Segue-se a região de Lisboa e Vale do Tejo (4709, 130) e o centro (2952, 164 - nenhuma nas últimas 24 horas). Depois o Algarve (311, 11), o Alentejo (161 casos e ainda sem nenhuma vitima mortal), os Açores (107, 6) e a Madeira (80 e também sem mortes).

Os concelhos com mais casos, esta segunda-feira, são respetivamente o do Porto (1068), de Lisboa (1060) e Vila Nova de Gaia (1060).

Mais de 165 mil mortes no mundo

Há 2 418 845 de infetados com covid-19 no mundo inteiro, segundo os dados oficiais, atualizados às 10:00 desta segunda-feira. Morreram 165 759 pessoas e recuperaram 633 335.

Os Estados Unidos da América são o país mais afetado com o surto do novo coronavírus, acumulando 764 265 doentes e 40 565 mortes. Espanha é a segunda nação com maior número de casos (200 210, mais 4 266 nas últimas 24 horas) e a terceira com mais óbitos declarados (20 852 - mais 399 que ontem, uma descida face ao dia anterior).

Segue-se Itália, com 178 972 casos confirmados e com 23 660 vitimas mortais. E depois, França, Alemanha, Reino Unido. Portugal é, neste momento, o 16.º país do mundo com mais infetados de covid-19.

Recomendações da DGS

Para que seja possível conter ao máximo a propagação da pandemia, a Direção-Geral da Saúde continua a reforçar os conselhos relativos à prevenção: evite o contacto próximo com pessoas que demonstrem sinais de infeção respiratória aguda, lave frequentemente as mãos (pelo menos durante 20 segundos), mantenha a distância em relação aos animais e tape o nariz e a boca quando espirrar ou tossir (de seguida lave novamente as mãos). E acima de tudo: fique em casa.

Em caso de apresentar sintomas coincidentes com os do vírus (febre superior a 38º, tosse persistente, dificuldade respiratória), as autoridades de saúde pedem que não se desloque às urgências, mas sim para ligar para a Linha SNS 24 (808 24 24 24) ou para a unidade de cuidados primários mais próxima.

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