Mais 16 mortes por covid-19 em Portugal. DGS pondera testes retrospetivos

Há agora no total 1105 vítimas mortais e 26715 infetados, de acordo com o boletim da DGS desta quinta-feira. Internamentos voltaram a subir.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) pondera fazer testes retrospetivos para perceber se já existiam casos de covid-19, em Portugal, antes do início oficial da pandemia no país. "É uma questão muito complexa mas está a ser ponderada de acordo com a informação publicada e com as orientações da Organização Mundial da Saúde [OMS]. A DGS, com o seu grupo de especialistas, está a ponderar a questão", afirmou a responsável pela autoridade de saúde, Graça Freitas, esta quinta-feira, durante a habitual conferência de imprensa sobre a evolução do surto.

Este tipo de estratégia está a ser usada em França, que já encontrou vestígios do vírus num doente internado com pneumonia em dezembro num hospital parisiense. A realizar-se em Portugal o objetivo será o mesmo: testar os doentes com sintomas coincidentes com os do novo coronavírus que tenham sido internados no final do ano passado ou início deste ano.

Nas últimas 24 horas, morreram mais 16 pessoas (um aumento de 1,5% face a ontem) e foram confirmados mais 533 casos de covid-19 (subida de 2%), em Portugal. Segundo o boletim epidemiológico da DGS, desta quinta-feira (7 de maio), há agora no país 26715 infetados, 2258 recuperados e 1105 vítimas mortais.

O número de pessoas internadas voltou a subir (mais 36), pelo terceiro dia consecutivo. Existem agora 874 doentes hospitalizados, sendo que 135 estão nos cuidados intensivos (menos um que ontem). O que significa que 84,1% dos infetados estão a receber tratamento em casa. Por outro lado, o número de curados continua a aumentar. No último dia, foram dados como recuperadas mais 182 pessoas.

Em Portugal, não é conhecido o caso de nenhuma pessoa dada como curada que tenha, depois, acusado novamente positivo num teste de despiste. No entanto, há países onde isto acontece e Graça Freitas explica que tal não quer dizer que a pessoa "tem a doença, nem que transmite o vírus". "Há partículas do vírus que podem ficar no trato respiratório superior", justifica.

Quanto à taxa de letalidade global do país, esta é hoje de 4,1%, sendo que sobe aos 15,1% no caso das pessoas acima dos 70 anos - as principais vítimas mortais. Dos 1105 óbitos, 49,1% são homens e 50,9% mulheres.

As mais recentes mortes dizem todas respeito a doentes com mais de 70 anos, sendo que 11 aconteceram acima dos 80.

O boletim da DGS indica ainda que aguardam resultados laboratoriais 2666 pessoas e estão em vigilância pelas autoridades de saúde mais de 27 mil. O sintoma mais comum entre os infetados é a tosse (que afeta 43% dos doentes), seguida da febre (30%) e de dores musculares (22%).

Desde o dia 1 de março, Portugal já fez cerca de e 490 mil testes diagnóstico à covid-19 e existe um stock de mais de um milhão de exames, atualizou o secretário de estado da saúde, António Lacerda Sales, esta quinta-feira, em conferência de imprensa.

Lisboa volta a registar maior aumento de novos casos no último dia. Norte com mais mortes

Dos 533 infetados notificados em 24 horas, 294 têm residência na região de Lisboa e Vale do Tejo. É a zona do país com maior aumento, tal como já aconteceu esta quarta-feira, o que se traduz também num R0 (número de contágios médio que cada doentes faz) "ligeiramente superior ao do resto país", confirmou a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, em conferência de imprensa, acrescentando que "as explicações para o facto estão a ser procuradas". Morreram ainda quatro pessoas, nas últimas 24 horas, em Lisboa. A região tem agora, um total, de 6935 infetados e 230 óbitos.

O Norte é a segunda zona que registou mais doentes no último dia (194), mas a que contabilizou o maior número de mortes - mais 11 (das 16). Há agora 15450 casos confirmados e 634 vítimas mortais.

Também no Sul, que nas últimas semanas estava a aumentar de forma ligeira os infetados, em 24 horas houve uma alteração no ritmo de contágio. São mais 101 casos (num total de 343 e 13 mortes. No centro, confirmaram-se mais 40 pessoas infetadas (são agora 3545 e 213 óbitos). Os restantes quatro casos notificados no boletim de hoje são atribuídos à Madeira (que tem 90 infetados e é a única região do país sem mortes) e a 16.º morte localiza-se nos Açores (132 casos, 14 óbitos).

Só no Alentejo não houve alteração nenhuma nos dados. Continua a existir um morto e 220 infetados.

A nível municipal Lisboa continua a ser o concelho do país com maior número de casos (1 668, mais 41). Seguem-se Vila Nova de Gaia (1 432, mais sete) e o Porto (1 269, mais três), de acordo com os dados do sistema Sinave, que correspondem a 87% do número total de notificações.

Esta quarta-feira, o país tinha notificado mais 480 casos, 15 novas mortes por covid-19 e 333 pessoas curadas - o maior aumento absoluto deste indicador, desde o início da pandemia.

Há 251 lares com utentes e funcionários infetados

O número de lares no país com casos de covid-19 é de 251, o que representa cerca de 14% das mais de duas mil residências sociais para idosos, segundo dados divulgados hoje pelo secretário de estado da saúde, António Lacerda Lopes.

Ainda segundo o governante, nos últimos dois meses foi possível transferir "quase 3 200 doentes dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde para as unidades da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados".

Alunos que faltem às aulas sem atestado não vão ser compensados. DGS analisa testes a professores

É já no próximo dia 18 de maio que os alunos do 11.º e do 12.º anos regressam à escola. No entanto, e apesar do Governo garantir que serão dadas todas as condições de segurança aos estudantes, vários pais têm mostrado reticências quanto ao regresso dos filhos às aulas presenciais.

As orientações do governo são claras: nenhum professor é obrigado a dar aulas remotamente a quem faltar (com excepção feita para alunos que pertençam a um grupo de risco). As faltas ficam justificadas, mas de acordo com a tutela a escola não tem a obrigação de continuar a garantir o ensino à distância a quem se ausentar.

Para aumentar as garantias de segurança, o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira, defendeu, esta quinta-feira, que todos os docentes deveriam ser testados antes do regresso às aulas. Durante a conferência de imprensa, Graça Freitas afirmou que as autoridades de saúde analisam todas as situações e que farão o mesmo com esta. "Há uma política para testar em lares, sobretudo os trabalhadores, há para os estabelecimentos prisionais e para as creches. Estão a ser analisadas outras situações que requeiram o mesmo acompanhamento", referiu.

Mais de 3,8 milhões de casos no mundo

O novo coronavírus já infetou mais de 3,8 milhões de pessoas no mundo inteiro, até esta quinta-feira às 10:45, segundo dados oficiais. 34% dos doentes foram dados como recuperados, mas 6,9% morreram (265 374 pessoas).

Os Estados Unidos da América são o país com a maior concentração de casos (1 263 224) e de mortes (74 809). Em termos de número de infetados, seguem-se Espanha (221 447), Itália (214 457) e o Reino Unido (201 101). Portugal surge em 21.º lugar nesta tabela, confirmando um afastamento face aos países com mais casos.

Quanto aos óbitos, depois dos Estados Unidos, o Reino Unido é agora a nação com mais mortes declaradas (30 076). Seguem-se Itália (29 684) e Espanha (26 070 - mais 213 vítimas nas últimas 24 horas).

O novo coronavírus, que foi descoberto na China no final do ano passado, ainda não terá atingido um pico nos países mais pobres, informou, esta quinta-feira, o subsecretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) para assuntos humanitários. No entanto, Mark Lowcock refere que já se começam a registar descidas de rendimentos, aumento da fome, subida de preços e falhas na vacinação. Pedindo mais ajuda financeira para combater a covid-19 nos países mais vulneráveis, que incluem Moçambique, Djibuti, Libéria, Paquistão, Filipinas, Serra Leoa, Togo e Zimbabwe.

Já nos países mais desenvolvidos e onde o surto estará a ultrapassar a primeira vaga da doença, os mais ricos são apontados como mais penalizados em termos de perda de rendimento. A conclusão é de um estudo do Banco de Portugal (BdP), incluído no boletim económico de maio, divulgado esta quarta-feira.

A instituição explica que "o impacto da pandemia no rendimento disponível das famílias é crescente" à medida que se depende mais do rendimento salarial".

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