Jerónimo diz que Festa do Avante! não é um festival e que comunistas "são muito criativos"

O secretário-geral do PCP rejeitou que a Festa do Avante! seja considerada um festival e afirmou que o partido não tem uma "posição fechada" sobre a sua realização, afirmando que "os comunistas portugueses são muito criativos".

Em entrevista ao Porto Canal, que será divulgada na noite deste domingo (10 de maio), Jerónimo de Sousa foi também questionado sobre a atenção mediática do deputado único do Chega, alertando que André Ventura assume "uma posição onde colhe sempre que é ou fazer de vilão ou fazer-se de vítima" e quem acha que, com "um discurso inflamado", o põe no lugar está "profundamente errado". O líder comunista foi interrogado sobre a realização da festa do Avante!, depois do primeiro-ministro, António Costa, em entrevista à mesma televisão na sexta-feira, ter afirmado que este evento se poderá realizar, desde que sejam cumpridas as orientações sanitárias da Direção-Geral da Saúde devido à pandemia, porque a atividade política dos partidos "não está proibida".

"Queremos conhecer a proposta [do Governo], mas ao contrário do que pensa os comunistas portugueses são muito criativos e a Festa do Avante! não pode ser tratada como um festival e naturalmente consideraremos, avaliaremos da sua realização", salientou Jerónimo de Sousa, sublinhando que ainda "faltam muito meses" até setembro.

Aquilo que leva o PCP "a não ter uma posição fechada" é o facto de esta questão pressupor uma proposta de lei que o Governo "vai ter de apresentar à Assembleia da República onde são definidos, critérios, limitações, constrangimentos", explicou.

"Como disse, e bem, se os cinemas forem abertos, se os teatros forem abertos, se os restaurantes forem abertos, ora aqui está um caminho de reflexão", afirmou.

Sobre a condenação do Tribunal da Relação de Lisboa que decidiu que o PCP tem de reintegrar o funcionário Miguel Casanova, o secretário-geral comunista deixou claro que este "não é um processo fechado".

"Era o que faltava era que alguém pudesse estar contra o partido, estar contra a sua orientação, contra a sua direção e ao fim do mês receba o salário que é resultante da quota, daqueles militantes que pagam um euro, dois euros e que seria para complementar o salário desse trabalhador", condenou, sublinhando que "o PCP não é uma empresa".

Questionado sobre se no congresso do PCP deste ano - que garantiu que vai ser mantido apesar de poder "haver algum ajuste e alguma reprogramação" - vai deixar a liderança do partido, o comunista começou por dizer que já tem "respondido umas dezenas de vezes" a essa pergunta.

"Aquilo que me anima, que determina a minha ação é que foram muitos anos, de facto, quase 16 anos com esta responsabilidade, mas eu aprendi neste partido uma coisa importante que é eu estou aqui, com esta responsabilidade, para servir os interesses dos trabalhadores, do povo, do meu partido e não ter qualquer preocupação em relação às alterações, à própria lei da vida e continuo empenhadíssimo em dar essa contribuição ao meu partido com a ideia e com a certeza funda de que a questão do secretário-geral no XXI congresso não será um problema de partido", declarou.

Em relação ao deputado do Chega, André Ventura, Jerónimo de Sousa assumiu ainda "preocupação" em relação a esses "partidos e movimentos de extrema-direita", que têm uma "conceção profundamente reacionária da vida e da sociedade" e, sem subestimar, avisou que "quanto mais os alimentarem mais força eles têm".

"Precisam disso. Não têm organização do partido, não têm cobertura ideológica para aquilo que lhes vai na cabeça e que têm objetivos, mas naturalmente tudo isso será potenciado de cada vez que faz uma provocação", criticou.

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