Hospitais têm 70% das camas de cuidados intensivos ocupadas

O número foi avançado pelo secretário de Estado adjunto e da Saúde, que, apesar de admitir uma "pressão" nos internamentos, lembrou que a rede de cuidados hospitalares é expansível.

Portugal "está mais bem preparado", sabe "mais sobre a doença [covid-19] quer em internamentos quer em unidades de cuidados intensivos", começou por realçar o secretário de Estado adjunto e da Saúde, nesta segunda-feira, em conferência de imprensa, no ministério, onde admitiu, de seguida, que os hospitais portugueses têm 70% das camas de cuidados intensivos ocupadas.

António Lacerda Sales justifica este número com a subida de novos casos de covid-19 nos últimos tempos, que "aumentaram a pressão" sobre o Serviço Nacional de Saúde. Apesar disto, o governante mostra-se tranquilo quanto à capacidade de resposta atual, referindo-se a "um relativo conforto e a uma rede expansível". Ou seja, quando um hospital tem as suas camas todas ocupadas, envia o doente para outro na mesma área e que tenha resposta. "Estamos preparados", garantiu.

A percentagem de capacidade hospitalar avançada durante a conferência de imprensa não sofreu alterações em relação à da semana anterior. No entanto, no fim de semana o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha, denunciava que os hospitais Fernando da Fonseca (mais conhecido como​​​Amadora-Sintra) e Beatriz Ângelo (Loures) tinham esgotado a sua capacidade de internamento.

Já sobre a possibilidade de ser necessária a montagem de hospitais de retaguarda (mais conhecidos como hospitais de campanha, apesar de estes últimos serem associados a uma construção com mais valências), o secretário de Estado adjunto e da Saúde voltou a responder que estes estão previstos no Plano da Saúde para o Outono-Inverno. Evitando, assim, estimativas sobre quando poderão ter de ser montadas. Para já, o governo não vê necessidade.

"Obviamente que esses hospitais de retaguarda serão ativados nas suas devidas dimensões e de acordo com as necessidades", acrescentou António Lacerda Sales.

Outra das hipóteses para o aumento da resposta passa por um recurso aos setores privado e social, confirmou de novo o governante. "Consideramos sempre essa possibilidade, em regime de complementaridade, de acordo com as dificuldades e com a situação epidemiológica."

Confinamento? "Não deverá acontecer"

A atitude do governo não muda neste ponto: "Confinamento é tudo aquilo que não queremos." Questionado sobre as declarações do presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia, ao jornal Público de hoje, quando o especialista afirmou que, se não houver mais meios disponíveis, o confinamento parece inevitável, Lacerda Sales diz: "Todo o esforço que estamos a tentar fazer é para afastar qualquer novo confinamento, como as autoridades de saúde internacionais, a Organização Mundial da Saúde, vieram dizê-lo ainda na semana anterior."

"Estamos a trabalhar para afastar a ideia de confinamento e isso garantidamente não deverá acontecer"

"Trabalhámos para aliviar a pressão ao nível dos serviços de saúde e ao nível da interrupção das cadeiras de transmissão. Estamos a trabalhar para afastar a ideia de confinamento e isso garantidamente não deverá acontecer", continuou o representante do ministério, na conferência de imprensa.

Ao nível do reforço de recursos humanos, o secretário de Estado adjunto relembra a contratação de mais 5841 trabalhadores desde 31 de dezembro de 2019 e os concursos a decorrer para chamar​​​​​​especialistas, médicos de família e de saúde pública.

Marcelo esteve com o ministro da Ciência antes do segundo estar infetado

Durante a conferência, a diretora-geral da Saúde quis ainda fazer um esclarecimento sobre um evento que juntou o ministro da Ciência, infetado com covid-19, e o Presidente da República. Graça Freitas disse que Marcelo Rebelo de Sousa e o ministro Manuel Heitor cruzaram-se no evento "Construir o futuro de Portugal - um compromisso social", mas que, na altura, o responsável pela pasta da ciência ainda não estaria no período de incubação da doença.

Graça Freitas sublinhou que há um protocolo que é seguido e que permite encontrar o período de transmissão e, depois, estratificar contactos de alto e baixo risco, fazer os testes e determinar se ficam ou não em isolamento profilático. E que esse protocolo foi cumprido.

O primeiro-ministro e todos os membros do Governo que foram testados no domingo tiveram resultados negativos à covid-19, segundo um comunicado do gabinete de imprensa do António Costa. Mas, soube-se depois, o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, está positovo.

Em Portugal, nas últimas 24 horas, morreram mais 14 pessoas vítimas da pandemia de covid-19 e foram confirmados mais 1249 casos de infeção. Segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta segunda-feira (12 de outubro), no total, desde que a pandemia começou, registaram-se 87 913 infetados, 53 498 recuperados (mais 311)​, 2094 vítimas mortais no país.

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