Governo está a preparar programa específico de apoio ao Algarve

Ministro da Economia anunciou que o Governo está a preparar um programa específico de apoio à região do Algarve. OCDE prevê que mais de 40% dos empregos esteja em risco na região devido à pandemia

"É necessário dirigir uma atenção muito especial à região do Algarve, que é extremamente dependente da atividade turística", defendeu esta manhã o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, perante os deputados da Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, na Assembleia da República.

Assim, Pedro Siza Vieira adiantou que o Governo está a preparar um programa específico de apoio à região.

De acordo com o ministro da Economia, este programa tem de ser "muito mais decidido no sentido de ajudar as empresas a sobreviver", deve dinamizar a procura interna e externa e ajudar a que o setor do turismo na região do Algarve sobreviva até ao próximo verão.

Outra das componentes do programa específico para o Algarve, disse, tem de ser também a de "mitigar o impacto muito negativo" nos rendimentos das pessoas da região.

"O turismo em toda a União Europeia é uma atividade muito relevante. A União Europeia estimava há um mês e meio que a atividade turística na União tivesse uma redução de 60%. Aquilo que estamos a viver na região do Algarve ou da Madeira não é um problema especificamente português", sublinhou.

"A União Europeia reconhece que as regiões fortemente turísticas precisam de um apoio específico. Até podem ter sido poupadas à pandemia, mas serão devastadas do ponto de vista económico", acrescentou.

O ministro da Economia não adiantou uma data para a apresentação do programa, mas referiu que será em breve.

Pandemia põe em risco mais de 40% dos empregos no Algarve

As regiões onde o turismo tem mais peso enfrentam maior risco de destruição de emprego, alerta a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) estimando que, no Algarve, podem ser perdidos mais de 40% dos empregos.

A OCDE calcula que o emprego poderá cair, em média, entre 4,09% e 4,98% em 2020 nos países que fazem parte da organização, devido à pandemia, sendo que o impacto desta crise difere de país para país e até de região para região.

No relatório sobre as "Perspetivas de emprego", divulgado esta terça-feira, a organização liderada por Angel Gurría refere que "os países e regiões onde a pandemia teve maior expressão registaram perdas económicas mais significativas", assinalando ainda que o impacto económico na várias regiões "vai variar de acordo com a sua especialização setorial", afetando de forma mais significativa os setores mais expostos a medidas de confinamento ou à sazonalidade.

Neste contexto, a organização aponta para diferenças regionais ao nível do risco de destruição de postos de trabalho, sendo que o Algarve surge entre as regiões mais afetadas.

"Alguns dos maiores destinos turísticos na Europa, como Creta, ilhas do sul da Grécia, as ilhas Canárias e as Baleares (Espanha), assim como o Algarve (Portugal) podem perder 40% ou mais dos empregos", refere o relatório.

Os dados divulgados pela OCDE estimam que a taxa de desemprego nos países que integram a organização possa atingir os 9,4% em 2020, um nível superior ao verificado na crise financeira de 2008, podendo agravar-se com novos surtos.

Vários indicadores apontam para um cenário de agravamento ao nível do emprego e do desemprego, com a OCDE a apontar uma quebra de 35% no número de ofertas de emprego 'online' entre 01 de fevereiro e 01 de maio e para uma diminuição das horas trabalhadas nos primeiros meses desta crise a superar 10 vezes a queda registada nos momentos iniciais da crise anterior.

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