Centros comerciais em Lisboa reabrem a partir de segunda-feira

As restrições na Grande Lisboa serão levantadas na segunda-feira mas o estado de calamidade no país mantém-se até final do mês. O aumento de novos casos parece não preocupar. "Estão em maioria identificados", diz a DGS.

No dia em que Portugal registou mais 421 casos confirmados de infeção, 386 dos quais na região de Lisboa e Vale do Tejo, o Governo decidiu que os centros comerciais podem reabrir na Área Metropolitana de Lisboa a partir de segunda-feira, dia 15. No final do Conselho de Ministros, António Costa disse que o estado de calamidade mantém-se em vigor no país até final de junho mas é provável, dependendo ainda da evolução, a passagem a estado de contingência em julho. Alentejo e Algarve podem mesmo ficar apenas em estado de alerta, admitiu.

Estas medidas têm o aval da DIreção-Geral de Saúde (DGS), com Graça Freitas a justificar que os casos na Grande Lisboa estão praticamente todos identificados e que se trata agora de os isolar. ""A maioria dos casos estarão identificados e as autoridades saúde, as autarquias, a segurança social e as forças de segurança têm trabalhado com estas pessoas no sentido de as fazer entender o risco que têm de propagação da doença", afirmou a responsável da DGS, convicta que haverá um "maior confinamento de pessoas infetadas".

A reabertura dos centros comerciais na área de Lisboa ocorrerá com a aplicação das regras de segurança em vigor no resto país. "Decidimos eliminar, a partir da próxima segunda-feira, as restrições que ainda existem diferenciadas relativamente ao conjunto do país, designadamente permitir a abertura dos centros comerciais de acordo com as regras definidas pela Direção-Geral da Saúde", afirmou António Costa, depois da reunião do Conselho de Ministros (CM).

A partir de segunda-feira, 15 de junho, passam a "aplicar-se as regras gerais vigentes para o resto do país", lê-se no comunicado do CM, clarificando que serão permitidas concentrações até 20 pessoas e "deixam de ter a atividade suspensa os estabelecimentos com área superior a 400m2 ou inseridos em centros comerciais e as respetivas áreas de consumo de comidas e bebidas".

Pouco depois do anúncio pelo primeiro-ministro, a diretora-geral da Saúde disse estarem "criadas as condições" para reabrir os centros comerciais da zona de Lisboa, apesar do aumento do número de doentes covid-19, pois "a grande maioria dos casos positivos estarão identificados".

"Há circuitos muito bem delimitados, se houver civismo e respeito para não haver ajuntamentos, não me parece que exista um risco muito grande de propagação", afirmou a responsável da DGS. Graça Freitas destacou ainda o facto de os grandes centros comerciais terem "circuitos muito bem organizados" e "regras estritas na circulação de pessoas".

Futebol seguirá sem adeptos nos estádios

O regresso dos adeptos aos estádios de futebol ainda nesta época não está a ser equacionado pela DGS, com os jogos à porta fechada a continuarem a ser regra.

"Não está a ser equacionado o regresso aos estádios neste momento, nem se perspetiva qualquer alteração nesta época", afirmou Graça Freitas, destacando que a evolução da pandemia "depende dos ajuntamentos de pessoas e dos seus comportamentos", sem esclarecer qual a diferença entre a presença de pessoas num estádio e numa sala de espetáculos, como aquela em que foi feita uma apresentação do humorista Bruno Nogueira.

No futebol. Graça Freitas frisou que as autoridades têm sido "muito cautelosas" e atuado "em diálogo com a Federação Portuguesa de Futebol". Portanto, não haverá público nas bancadas, de resto, notou a diretora-geral de Saúde, é "o que se está a passar em outros países".

Feriados e santos populares

Sobre o levantamento do estado de calamidade, o primeiro-ministro disse que se mantém durante o mês de junho, tendo em conta os feriados, festejos dos santos populares e reabertura das fronteiras aéreas, o que implicará um maior movimento de pessoas.

"No conjunto do território nacional continuará a vigorar e até ao final do mês as regras atualmente em vigor, não porque se verifique uma alteração negativa do estado da pandemia, mas porque temos em conta que neste período se verifica a coincidência dos festejos tradicionais dos santos populares, a existência da abertura à Europa das fronteiras aéreas aos países europeus no próximo dia 15 e também o elevado número de feriados", disse António Costa.

É preciso manter as regras de distanciamento, proteção individual e higienização. "Se continuarmos a evoluir positivamente como tem estado acontecer, a nossa previsão é que a partir do próximo dia 1 de julho possamos fazer uma alteração do estado de calamidade para o estado de contingência e porventura, em algumas regiões, como o Algarve e o Alentejo, para a situação de mero estado de alerta", avançou.

O comunicado do CM refere que o Governo decidiu prorrogar a declaração de situação de calamidade até às 23.59 do próximo dia 28 de junho, dando continuidade ao processo de desconfinamento em curso.

O CM também decidiu alargar a todo o país "a regra da limitação a dois terços dos ocupantes na circulação relativa aos veículos particulares com lotação superior a cinco lugares, salvo se todos os ocupantes integrarem o mesmo agregado familiar, em virtude da dificuldade de prática de distanciamento social em veículos automóveis, em especial nos de transportes de trabalhadores"

Outra das decisões é a abertura, a partir da próxima segunda-feira, dos parques aquáticos, escolas de línguas e centros de explicações.

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