Enfermeiros iniciam greve de cinco dias. "É um grito de alerta"

A greve dos enfermeiros dura até sexta-feira e é ação de protesto contra o desgaste e desmotivação destes profissionais de saúde. Sindicato diz que "não é uma guerra de números" porque muitos estarão a trabalhar "para não fragilizar mais o SNS".

Os enfermeiros iniciam esta segunda-feira uma greve de cinco dias, um protesto convocado pelo Sindicato Democrático dos Enfermeiros Portugueses (Sindepor) contra o desgaste e desmotivação destes profissionais, e que o sindicato decidiu manter apesar dos números mais recentes da pandemia.

A greve, que decorre entre hoje e sexta-feira, 13 de novembro, foi convocada a 23 de outubro e em declarações à agência Lusa nesse dia, o presidente do Sindepor, Carlos Ramalho, disse ter a certeza de que a população estará ao lado dos enfermeiros, que "têm feito muitos sacrifícios ao longo dos anos".

"Mantemos a intenção da greve, obviamente que vai haver constrangimentos, mas pretendemos que sejam os mais limitados possíveis, nomeadamente no combate à pandemia de covid-19", disse, por seu lado, Jorge Correia, do Sindepor, no final de uma audiência com o Presidente da República na semana passada.

"Não é uma guerra de números"

A greve "não é uma guerra de números" e que muitos estarão em greve, mas a trabalhar, "para não fragilizar mais o Serviço Nacional de Saúde", disse Ramalho. Em declarações à Lusa, o presidente do Sindepor disse que os números da adesão "são muito relativos" pois não se conseguem apurar porque não é possível formar piquetes de greve como acontece noutras greves, devido à impossibilidade de circular entre serviços de saúde, por causa da pandemia de covid-19.

"Não podemos formar os piquetes de greve que formávamos em condições normais pois não é conveniente circular entre serviços para apurar esses dados", explica, sublinhando que "muitos enfermeiros vão estar em greve, mas a trabalhar".

"Assegurar serviços mínimos agora significa assegurar quase serviços máximos durante períodos de não greve por causa da dotação de enfermeiros, que cada vez são menos. Normalmente associa-se a greve à não comparência ao local de trabalho, mas muitos têm de comparecer para assegurar serviços mínimos. É mais um grito de protesto e um anúncio de descontentamento do que algo que interfira com o SNS, que já de si está fragilizado e que nós não queremos fragilizar ainda mais", afirmou.

Carlos Ramalho sublinha que a greve dos enfermeiros decretada pelo Sindepor para esta semana, "mais do que uma guerra de números, será uma guerra de razões, de argumentos".

"É mais um grito de protesto e anúncio de descontentamento - pela ausência de negociações e pela situação dos enfermeiros - do que algo que interfira com o SNS, que já de si está fragilizado e que nos não queremos fragilizar ainda mais", acrescentou.

Enfermeiros "cansados, exaustos e desmotivados"

Jorge Correia sublinhou que a paralisação de cinco dias "é mais do que uma greve, é um grito de alerta", porque os enfermeiros "estão cansados, exaustos e desmotivados" e se há um consenso por parte da sociedade e dos partidos políticas sobre a importância dos profissionais de saúde "é essencial que isso se concretize em medidas".

A greve está convocada para todo o território nacional, com exceção da região autónoma da Madeira.

Segundo o presidente do Sindepor, o sindicato exige o descongelamento das progressões da carreira, a atribuição do subsídio de risco para todos os enfermeiros e, sendo "uma profissão de desgaste rápido", a aposentação aos 57 anos.

(Notícia atualizada às 11h10)

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