Encontrou uma bomba sem combustível? Petrolíferas confirmam corrida aos postos

A Apetro confirmou uma maior afluência às bombas, o que pode levar a ruturas momentâneas que fazem parte da normal reposição de stocks de cada posto.

Primeiro foi o posto de combustível do Jumbo, em Alfragide, que já no domingo se apresentava aos clientes sem oferta de gasóleo aditivado, depois de um fim de semana com um movimento intenso de veículos para atestar.

Depois, segunda-feira de manhã, a bomba da Prio em Algés também não tinha gasolina à venda. Nesse mesmo dia, ao final da tarde, a bomba do Jumbo de Alfragide continuava a registar filas de carros para abastecer, que acabaram por se dissipar ao início da noite, mas sem qualquer rutura de stocks.

Na manhã de terça-feira, as ruturas de combustível foram sentidas em dois ou três postos da A1, a auto-estrada que liga Lisboa ao Porto, informou a Brisa na reunião semanal do Centro de Coordenação Operacional Nacional, que decorreu na Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, de acordo com o Eco. Vinte e quatro horas depois, ou seja hoje de manhã, a situação estava normalizada e "os postos estão todos abastecidos".

Contactada pelo Dinheiro Vivo, a Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (Apetro) garantiu não ter conhecimento de nenhuma situação de rutura de combustível na Grande Lisboa ou em qualquer outra região do país. Da mesma forma, a existência de postos já sem combustíveis na A1 era do desconhecimento da Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE), de acordo com o Eco.

Apesar de rejeitar quaisquer motivos para alarme, e garantir que "não há falta" de combustível", quando faltam poucos dias para a greve, a Apetro confirmou sim que "é verdade e é notória" uma maior afluência aos postos de abastecimento em Portugal", o que pode levar a ruturas momentâneas que fazem parte da normal operação de gestão de fluxos e reposição de stocks de cada posto.

Ao Dinheiro Vivo, Apetro e gasolineiras tinham já prometido ter os tanques cheios antes do início da greve.

"Do lado da procura, para minimizar os efeitos da greve dos camionistas, quaisquer que sejam os setores, e para que as perturbações sejam mínimas, estão a ser mantidos os "stocks" no máximo e as empresas petrolíferas estão a fazer o planeamento dos postos de combustíveis", disse João reis, porta-voz da Apetro, lembrando que as bombas situadas no Algarve "estão a vender mais", pelo que "há um maior reforço" do abastecimento na região. Já em Lisboa se poderá "vender menos", numa altura do ano existe "um fluxo migratório e sazonal normal".

Do lado da oferta, "está-se a vender um pouco acima do normal, mas há um maior reforço do abastecimento. Que saibamos, não há rutura de "stocks"". A logística e distribuição na área dos combustíveis "é atualmente ajudada pela indicação dos "stocks" nos postos de combustíveis", disse José Reis.

Em resposta à recomendação da Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE), que pediu "a todos os postos de abastecimento situados em território nacional, o reforço dos stocks de combustível, acautelando desta forma as existências", as principais gasolineiras - Galp, BP, Prio, Repsol e Cepsa - garantiram ao Dinheiro Vivo que já estão no terreno a pôr em prática os seus próprios planos de ação para acautelar uma nova situação de escassez de combustíveis. A Apetro garante que os seus associados, "através de um planeamento cuidado, estão a tentar que os postos de abastecimento estejam na sua capacidade máxima, antes do início da greve".

Bárbara Silva, jornalista do Dinheiro Vivo

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