Doentes crónicos vão poder aviar medicamentos mesmo sem receita

Médicos de família contactaram a Ordem dos Farmacêuticos para que as farmácias passem a disponibilizar medicamentos a doentes crónicos mesmo sem receita. A partir desta segunda-feira, estes clínicos vão começar a contactar por telefone os doentes com consultas de rotina marcadas para as adiar.

As unidades de saúde familiar vão começar a funcionar de forma diferente a partir desta segunda-feira, devido às regras de precaução para se combater a epidemia provocada pelo novo coronavírus - SARS CoV-2.

De acordo com o que afirmou ao DN o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), Rui Nogueira, as unidades de saúde familiar estão a preparar-se para alterar as suas rotinas e a forma de funcionamento. "As unidades de saúde familiar também têm um plano de contingência e também não podem correr riscos desnecessários", argumentou.

"Os planos de contingência impõem a desmarcação de consultas programadas de rotina e não urgentes. É isso que iremos fazer, mas não deixaremos de estar em contacto com os doentes. Em caso de necessitarem de esclarecimentos sobre algum medicamento que estão a tomar, sobre alguma situação relativa às suas doenças crónicas, os médicos poderão responder-lhes por telefone", disse, reforçando que "a atitude mais prudente é não se deslocar ao centro de saúde".

Rui Nogueira explicou ao DN que esta situação leva a uma outra que é muito importante acautelar, que é a da ausência de prescrição. "Se vamos desmarcar e remarcar as consultas que não são urgentes, os doentes crónicos poderão ficar sem os medicamentos de que necessitam", referiu. "Neste sentido, a APMGF contactou a Ordem dos Farmacêuticos para que as farmácias continuem a disponibilizar medicamentos aos doentes crónicos mesmo sem receita e até ser necessário, porque não sabemos quanto tempo irá durar esta situação."

Um doente crónico pode ligar para a sua unidade de saúde para solicitar os medicamentos habituais - e quando falamos de doentes crónicos falamos de doentes diabéticos, cardíacos, hipertensos em estado de depressão, etc. - e a receita ser-lhe enviada por telemóvel. No caso de não ter telemóvel, pode dirigir-se à farmácia onde habitualmente compra os medicamentos e onde está registada toda a medicação que costuma comprar. "Não é dirigir-se a uma farmácia qualquer, não. É ir à farmácia que o conhece", sublinha o médico.

Este médico da Unidade de Saúde Familiar Norton de Matos alerta para o facto de os doentes não terem de se preocupar com os exames que têm para mostrar ao seu médico de família. "Quem tiver e-mail pode sempre enviá-los por e-mail para depois o colega falar com ele, mas sem haver pressa. Hoje, são os próprios laboratórios e clínicas onde se fazem exames que alertam o médico que os solicitou sempre que é detetada alguma situação de urgência. Portanto, é preciso que todos atuemos com ponderação e bom senso."

Dificuldade em respirar é o sintoma mais preocupante

O presidente da APMGF sublinhou ainda o alerta que tem sido feito desde o primeiro momento: que as pessoas não entupam a linha SNS24 e os serviços de saúde sem que os casos o justifiquem. Por exemplo, referiu, "temos conhecimento de situações em que há várias chamadas de telefones diferentes para a linha SNS24 para se falar do mesmo caso. Numa família pode haver duas, três ou quatro pessoas a ligar para verem quem é atendido. Isto acaba por ser muito complicado. O mais prudente é ser uma pessoa a ligar, pode esperar um pouco mais, mas assim poderá haver mais capacidade de resposta".

Sobre os sintomas, este médico de família esclarece que nesta altura, em que o vírus está já a circular na sociedade, o mais natural é que muitas pessoas tenham manifestações ligeiras da doença, com um pouco de tosse, espirros, alguma febre e dores no corpo, e "estas situações até poderão ser tratadas em casa com paracetamol. É preciso que as pessoas tenham noção de que devem deixar as unidades de saúde para os casos graves".

O clínico refere ainda: "É normal que assim seja, é como se fosse um surto de gripe, mas o importante é quando têm falta de ar. Se um dos sintomas for falta de ar, então deve ligar para a linha SNS24 para expor a situação e ser encaminhado para um hospital para ser ventilado", mas reforça, "a atitude mais prudente é ligar para a linha SNS24, em vez de se dirigir diretamente a um serviço de urgência".

Sabendo as críticas de que tem sido alvo o funcionamento desta linha, o médico refere que os meios vão ser reforçados e diz que "tudo irá correr melhor".

Na conferência de imprensa deste domingo sobre a situação epidemiológica do surto por este coronavírus - SARS CoV-2 ,- a ministra da Saúde, Marta Temido, reforçou também que os meios da linha SNS24 estão a ser reforçados.

Nesta altura, Portugal regista 245 casos, com 18 doentes nos cuidados intensivos e oito em estado crítico. Há 2271 casos suspeitos e 281 a aguardar resultado laboratorial.

No mundo, há 167 693 infetados, 6456 mortes e 76 598 recuperados.

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