DGS: Fátima terá peregrinos e jogos da seleção nacional com público são um teste

Parecer das autoridades sobre a peregrinação de 13 de outubro será divulgado nesta quarta-feira pelo Santuário, segundo a diretora-geral da Saúde.

A peregrinação de 13 de outubro a Fátima contará com peregrinos, devendo o Santuário divulgar o parecer dado pelas autoridades de saúde ainda nesta quarta-feira, e os jogos de futebol da seleção nacional com público serão um teste para avaliar o comportamento dos adeptos, disse a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, na conferência de imprensa de balanço da covid-19 em Portugal.

Destacando o trabalho "bem profícuo e de colaboração" entre o Santuário de Fátima e a Direção-Geral da Saúde (DGS), Graça Freitas indicou que será hoje publicado pela Igreja o parecer dado pelas autoridades de saúde para a peregrinação de 13 de outubro. Mas adiantou que será permitida "a existência de peregrinos cumprindo as regras de segurança".

Questionada sobre o que tinha mudado em relação à presença de público nos estádios, a diretora-geral da Saúde falou em "precaução e coerência", lembrando que a prioridade era a abertura de escolas e que a evolução da situação permite efetuar dois testes-piloto com os jogos da seleção nacional, que são considerados de "baixo risco".

O primeiro teste será no amigável entre Portugal e Espanha, a 7 de outubro, no Estádio José Alvalade, com 5% do público. "Vamos ver como vai ser o comportamento, a chegada do público, a saída, como são os circuitos", indicou Graça Freitas, dizendo que o segundo teste, no jogo frente à Suécia, a 14 de outubro, já será com 10% do público. "Não podemos tirar conclusões sem avaliar estes testes", referiu.

A ministra da Saúde lembrou que a autorização de público no jogo entre o Santa Clara e o Gil Vicente, que se realiza neste sábado nos Açores, foi uma decisão regional.

Nas últimas 24 horas, foram registados mais 825 casos de covid-19 em Portugal e mais oito mortes, de acordo com o último boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde. Desde o início da pandemia, foram confirmados 75 542 casos positivos da doença e 1971 óbitos. A taxa de letalidade global é de 2,6%.

O valor médio de risco de transmissão estimado para os dias 21 a 25 de setembro é de 1,07, com uma média de 823 novos casos por dia para este período e uma variação entre as várias regiões do país. O mais alto é na região do Algarve - 1,16 - e o mais baixo no Alentejo - 0,9 -, indicou por seu lado a ministra da Saúde, Marta Temido.

Brigadas nos lares

A ministra da Saúde, Marta Temido, admitiu hoje que as brigadas distritais de intervenção rápida de apoio a lares com surtos de covid-19 vão arrancar no início de outubro com menos profissionais do que o esperado. Contudo, lembrou que as autoridades estão a trabalhar para atingir o número de elementos inicialmente previsto para as equipas.

"São cerca de 60 enfermeiros e 200 ajudantes de ação direta", disse Marta Temido na conferência de imprensa de balanço da pandemia, indicando que haverá também apoio numa intervenção preventiva, não presencial, de médicos e técnicos de saúde, nomeadamente psicólogos, havendo equipas em todos os distritos. Continuamos a trabalhar no sentido de complementar o que estava proposto, reforçou a ministra. "Estamos a preparar o pior, a esperar o melhor, para ter a melhor resposta no terreno", acrescentou.

Resposta assistencial não covid

A ministra destacou na conferência de imprensa o esforço de recuperação da resposta à atividade assistencial não covid, apresentando os números desde maio - quando esta foi retomada após dois meses de suspensão para assegurar a resposta ao covid-19 - até agosto.

"Em agosto, os números mostram o esforço de recuperação, que é justo reconhecer e agradecer. Face ao período homólogo de 2019, verifica-se uma clara tendência de recuperação", indicou Marta Temido.

Em relação a consultas dos cuidados de saúde primários, e comparando com o período homólogo de agosto de 2019, houve em agosto de 2020 menos 920 mil consultas. São menos 4,4%. "Verifica-se uma tendência de recuperação, porque em maio era de menos 10,5%, em junho de menos 7,2% e em julho de menos 5,9%", referiu.

No que toca a atividade assistencial hospitalar, o total de consultas médicas registadas em agosto era de menos um milhão de consultas, menos 12,6% do que no ano passado. Também neste caso tem havido uma melhoria: em maio tinha sido de menos 16,8%, em junho de menos 14,3% e em julho de menos 13,6%.

A mesma tendência é verificada em relação às intervenções cirúrgicas, tendo sido registadas menos cem mil em agosto, o que representa menos 22,2% do que em agosto de 2019. Este número demonstra uma melhoria em relação aos três meses anteriores: em maio, a percentagem era de menos 28,8%, em junho de menos 26,9% e em julho menos 24,2%

"Se a pandemia se mantiver em níveis relativamente contidos, temos a expectativa de conseguir melhorar estes indicadores. Mas será difícil atingir os valores de 2019, que foi um ano exemplar", disse Marta Temido. "Não vamos empurrar os portugueses para fora do Serviço Nacional de Saúde, vamos antes trabalhar no sentido de melhorar a nossa resposta de serviço público financiado por todos", afirmou.

Mais pessoas nos hospitais

O número de hospitalizações por covid-19 em Portugal continua a aumentar.

Segundo a ministra, na região de Lisboa e Vale do Tejo estão 351 internados em 539 camas disponíveis, e o hospital com maior pressão é o Beatriz Ângelo, na área de Loures-Odivelas, onde os números da covid-19 têm registado "uma persistência elevada". Nos cuidados intensivos, em 89 camas disponíveis, há 66 internados, sendo o Centro Hospitalar de Lisboa Central o que exerce maior pressão.

No Norte, há 162 doentes internados em 311 camas disponíveis para a covid-19 e 33 internados em cuidados intensivos em 65 camas disponíveis para cuidados intensivos.

"A capacidade disponível é sempre expansível consoante as necessidades", lembrou a ministra.

Programa Nacional de Vacinação

A ministra disse ainda na conferência de imprensa que entra amanhã em vigor o novo Programa Nacional de Vacinação (PNV), lembrando que "Portugal tem indicadores que nos orgulham como país" nesta área e que "é muito bom, num ano tão difícil, conseguir continuar a trabalhar sem perder de vista o longo prazo".

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, defendeu que o PNV, que cumpre 55 anos no próximo domingo, é um dos melhores do mundo, felicitando os profissionais de saúde e os portugueses que se deixam vacinar e vacinam os seus.

Em relação a este ano, disse que uma das novidades é que, por causa dos constrangimentos internacionais, a prioridades para a vacina HPV para os rapazes de 10 anos será para os que nasceram no primeiro semestre de 2009.

A vacina contra a meningite é aplicada a todas as crianças que nasceram em 2019 e 2020, sendo aconselhada a sua aplicação aos 2, 4 e 12 meses.

A vacina rotavírus também está incluída no programa para os grupos de risco, mas começará a ser administrada apenas a partir de dezembro, sendo a prioridade para já a vacinação contra a gripe.

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