DGS admite "grande" pressão na saúde pública. Alunos de enfermagem vão reforçar equipas

Diretora-geral da Saúde anunciou, esta sexta-feira, que estudantes finalistas de enfermagem irão com os seus professores para o terreno auxiliar os ​​​​​​​médicos de saúde pública na realização de inquéritos epidemiológicos.

"Nós sabemos que, neste momento, existe uma enorme pressão sobre os serviços de saúde pública", começou por admitir a diretora-geral da Saúde, esta sexta-feira, durante a habitual conferência de imprensa no ministério, em resposta às críticas da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, que tem alertado para os inquéritos epidemiológicos que ficam por fazer por falta de meios. E para ajudar a resolver a situação, Graça Freitas anunciou que os estudantes finalistas de enfermagem vão ser recrutados.

"Houve um contacto do ministério da Saúde com o ministério do Ensino Superior para que através das escolas de enfermagem, os alunos dos últimos anos acompanhados pelos seus professores, possam fazer estágio junto destas unidades de saúde pública. Vão receber treino, que numa primeira fase é dado pela Direção-Geral da Saúde (DGS), mas que depois também é feito nos locais", explicou Graça Freitas.

Embora a diretora-geral da saúde não tenha precisado um número diário de contactos que fique por fazer, uma vez que este é muito variável, segundo a responsável pela DGS, admitiu que há rastreios que ultrapassam o tempo previsto para serem feitos (12 horas).

A Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública tem denunciado que há especialistas que chegam a ter 500 contactos por fazer. Esta quarta-feira, o médico Gustavo Tato Borges do ACES do Grande Porto Santo Tirso/Trofa confessava, em entrevista ao DN, que tinha 50 em atraso. Significa isto, que havia 50 pessoas que acusaram positivo para a covid que ainda não tinham respondido ao questionário epidemiológico que permite a estes médicos saber exatamente onde e com quem estiveram os casos positivos, tendo em vista a quebra de cadeias de transmissão.

"Não acredito que haja nenhuma unidade de saúde pública no norte que não tenha casos em atraso e todos os dias nos caem novos. É uma utopia pensar que vamos conseguir controlar isto", dizia o especialista do norte, a região que mais infetados diários regista neste momento.

Durante a conferência de imprensa, Graça Freitas referiu que, "como estamos com muitos doentes, a carga de trabalho é enorme". Uma vez que a "investigação epidemiológica implica que a partir de cada caso encontrado se vá à procura dos seus contactos e esses contactos têm de ser divididos logo em dois grupos: contactos de alto risco (que ficam em isolamento profilático) e contactos de baixo risco (que não precisam de ficar isolamento profilático, só de seguir as medidas sanitárias)".

Atualmente, a taxa de sucesso do rastreio de contactos ronda os 60%, informou a responsável pela DGS. Ou seja, "60% das pessoas conseguem ainda dizer a partir de quem é que contraíram a doença e quando aprofundamos mais ainda aumentamos este valor. Neste momento, ainda conseguimos saber quem contagiou quem".

Graça Freitas não respondeu à pergunta sobre quando é que os estudantes de enfermagem começam a reforçar as equipas de saúde pública, mas lembrou que quem faz os rastreios não são apenas os médicos de saúde pública. Em todas as cinco Administrações Regionais de Saúde (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve) existe um departamento para dar apoio às equipas no terreno. O mesmo acontece nos agrupamentos de centros de saúde (que são mais de 50), sem esquecer a ajuda dos internos da especialidade e dos estudantes a fazer o ano comum.

Novo recorde de casos diários

Em Portugal, nas últimas 24 horas, morreram mais 21 pessoas vítimas da pandemia de covid-19; desde o dia três de abril que não havia tantos óbitos diários. Na altura, foram 37. Também os casos voltaram a aumentar: foram confirmados mais 2 608 infeções. Há três dias consecutivos que o país bate recordes diários de casos.

Segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta sexta-feira (16 de outubro), no total, desde que a pandemia começou, registaram-se 95 902 infetados, 56 066 recuperados (mais 985)​ e 2 149 vítimas mortais em Portugal.

Neste momento, há 37 687 doentes portugueses ativos a ser acompanhados pelas autoridades de saúde, mais 1 602 do​​​​​​ que ontem. 97% encontram-se a receber tratamento em casa.

A maioria dos infetados das últimas 24 horas localiza-se na região do norte (mais 1 350 - 51,8% do total) e em Lisboa e Vale do Tejo (725 - 27,8%). Seguem-se o centro (mais 323), o Alentejo (150), o Algarve (44), a Madeira (12) e os Açores (quatro).

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