Cuidados Intensivos: Há duas semanas que São José recebe doentes do Norte

Há duas semanas chegaram dois doentes, esta mais quatro. Todos vindos dos hospitais de Penafiel, Matosinhos, Bragança e Guimarães para receberem cuidados de ECMO. Mas, na altura, o coordenador da unidade de São José já alertava: "Só há vagas quando alguém morre ou tem alta".

O Hospital São José, em Lisboa, recebeu quatro doentes com covid-19 da região Norte que necessitam de ECMO, um dispositivo de circulação extracorporal essencial ao tratamento de doentes críticos, que susbtitui a função respiratória e cardíaca avançou hoje à Lusa instituição.

"O Centro Hospitalar Lisboa Central (CHLC) [onde está integrado o Hospital São José], está a fazer resgates de ECMO (cuidados intensivos) de doentes covid-19 da região Norte", indica, numa nota enviada à Lusa.

Na sexta-feira recebeu doentes dos hospitais de Penafiel, Pedro Hispano, em Matosinhos, e de Bragança e hoje recebeu um doente do Hospital de Guimarães.

"Esperamos que o confinamento reduza nos próximos dias a pressão sobre o SNS [Serviço Nacional de Saúde]", sublinha o CHLC, adiantando a que "a gestão dos doentes funciona em pleno entre as unidades".

O Centro Hospitalar e Universitário de S. João, no Porto, os hospitais de Santa Maria e de S. José são centros de referência para ECMO.

Não é a primeira vez que acontece, há duas semanas o coordenador do Progarama ECMO, nesta unidade, Philip Fortuna, contou ao DN que já estavam a ir buscar doentes às unidades do Norte com necessidade deste tipo de tratamento, por já não haver capacidade de resposta no Hospital São João.

Na altura, o médico saleintava o trabalho em rede das Unidades de Cuidados de Intensivos, mas referia também que a unidade de São José estava com uma lotação máxima de mais de 85%, admitindo mesmo que só havia vagas quando alguém morria ou tinha alta para regressar à enfermaria e fazer o resto da recuperação da doença. "já não há vagas disponíveis, só quando alguém morre ou tem alta para regressar à enfermaria", referiu ao DN o médico intensivista. Philip Fortuna contou: "Nesta noite [de segunda para terça-feira] fui com a minha equipa buscar um doente para ECMO ao Hospital de Matosinhos, porque o Hospital de São João já não tinha capacidade para o receber. Estamos a funcionar em rede e a ajudar-nos uns aos outros, mas todas as unidades estão a 85% e algumas já acima dos 90%. Nós estamos já também neste limite."

No entanto, e de acordo com o médico intensivista, a unidade de cuidados intensivos do Hospital São José estava a alcançar bons resultados nos tratamentos dos doentes estando a alacançar uma média de nove dias de internamento, "o que é muito bom", sublinhava.

Esta transferências de doentes acontece numa altura em que o Norte continua sobre maior pressão em relação à covid-19 em relação ao resto do país. Os números diários da Direção-Geral da Saúde davam conta neste sábado que a região Norte estava uase com mais 30 mil casos do que a de Lisboa e Vale do Tejo.

No balanço diário, Portugal registou 6602 novos casos de infeção com o novo coronavírus e 55 mortes, aumentando asssim o número total de casos ppara 211 266 casos de infeção pelo novo coronavírus, estando hoje ativos 85 444 casos, mais 1412 do que na sexta-feira, e para 3305 o total de mortes.

Nesta semana, o maior número de novos casos diários de infeção com o SARS-Cov-2 foi registado na sexta-feira, com 6653 casos.

O país está em estado de emergência desde 9 de novembro e até 23 de novembro, período durante o qual há recolher obrigatório nos concelhos de risco de contágio mais elevado e municípios vizinhos. A medida abrange 114 concelhos, número que passa a 191 a partir de segunda-feira.

Durante a semana, o recolher obrigatório tem de ser respeitado entre as 23:00 e as 5:00, enquanto nos fins de semana a circulação está limitada entre as 13:00 de sábado e as 5:00 de domingo e entre as 13:00 de domingo e as 5:00 de segunda-feira.

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