Contramão na 2ª Circular: o mistério de Acácio, o camionista

O tribunal proibiu de conduzir o camionista que andou três quilómetros em contramão na segunda circular. O Ministério Público vai requerer exames médicos

"Foi uma branca que me deu", terá confidenciado aos agentes da PSP do Comando Metropolitano de Lisboa, onde passou a noite detido, o condutor do camião que, à hora de ponta desta segunda-feira, entrou em contramão na segunda circular, abalroou oito carros e feriu várias pessoas, duas delas gravemente.

Ouvido esta tarde no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa para aplicação de medidas de coação, o juiz proibiu-o de conduzir por tempo indeterminado e ficou ainda com Termo de Identidade e Residência. Está indiciado pelos crimes de condução perigosa agravada, de ofensa à integridade física e contra o património. A PSP, que está a coadjuvar o Ministério Público na investigação, está a aguardar a formalização das queixas das senhoras feridas gravemente para juntar ao processo.

O que aconteceu realmente na sua cabeça talvez só possa ser explicado pelos exames médicos que o Ministério Público (MP) vai requerer no âmbito do inquérito aberto. Sabe-se que Acácio, de 42 anos anos, tinha saído de sua casa, na Alta de Lisboa, pelas sete da manhã e ia entrar às 7:30 na empresa onde trabalha há 12 anos, em Loures. Fez o mesmo percurso que fazia todos os dias, mas desta vez, junto ao separador da Avenida Santos e Castro, passou para o sentido oposto na rotunda da Alta de Lisboa e entrou em contramão na 2ª circular.

Não tinha nem álcool nem drogas no organismo - de acordo com os testes a que foi submetido pela polícia - mas no seu "cadastro" consta uma detenção por condução alcoolizado, segundo revelou ao DN uma fonte que está a acompanhar o caso.

O condutor não tinha nem álcool nem drogas no organismo

Além desta situação, nunca teve outros problemas, não tomava nenhum medicamento e, de acordo com o testemunho da família às autoridades, "teve um comportamento completamente rotineiro e normal nos dias anteriores, sem nada de anormal ou suspeito".

A noite no COMETLIS "foi normal", contam fontes policiais, com Acácio a manifestar aos agentes a sua incredulidade com o sucedido e a não conseguir dar nenhuma explicação. O condutor detido não se lembrava do trajeto que efetuou, mas tinha um discurso coerente", informaram as autoridades.

A empresa onde trabalha, a Renascimento, fez um comunicado a confirmar que Acácio não tem "qualquer incidente registado" e "dispõe de toda a formação requerida para o exercício da sua função, tendo participado, ainda este ano, numa formação 'Eco-condução para pesados'". A Renascimento está "a colaborar com as autoridades" de forma a compreender a razão do sucedido.

Numa conferência de imprensa realizada na segunda-feira, o porta-voz da Direção Nacional (DN) da PSP disse desconhecer as "motivações" que levaram este condutor a circular em contramão na via mais movimentada da cidade. A PSP descarta que tenham existido "intenções de natureza extremista ou terrorista" no caso, ainda assim deteve o homem por condução perigosa.

Entretanto, o Expresso noticia que Acácio terá tido, momentos antes de entrar em contramão, uma discussão com outro condutor. Fonte policial confirma, mas garante que "não foi mais que uma troca de de palavras" e que "nem sequer foi valorizada em sede de primeiro inquérito". O condutor com quem Acácio discutiu terá telefonado para o 112 logo que o viu entrar em contramão.

(Atualizada às 19:15 com a notícia do Expresso)

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