Mau tempo. Aviso vermelho para Porto, Braga, Aveiro, Vila Real e Viana do Castelo

Nos grandes centros urbanos vão cair entre 20 e 30 litros de chuva por metro quadrado, pelo que são esperadas inundações, quedas de árvores e de estruturas. Quinta-feira será o dia "mais gravoso", segundo o IPMA

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) elevou esta quarta-feira para vermelho o aviso relativo aos distritos do Porto, Braga, Aveiro, Vila Real e Viana do Castelo, devido à previsão de chuva forte e persistente a partir de quinta-feira.

O aviso do IPMA vigora entre as 12:00 e as 21:00 em Vila Real e Braga, e entre as 12:00 e as 18:00 em Viana do Castelo, adianta o instituto em comunicado divulgado esta noite

No Porto e em Aveiro, o aviso vermelho está em vigor entre as 15:00 e as 21:00.

Segundo o IPMA, prevê-se chuva "forte e persistente, podendo ser acompanhado de trovoada" nestes cinco distritos.

Já Lisboa e Porto registam um fenómeno de precipitação "muito forte" ao final do dia desta quarta-feira, durante duas a três horas, disseocomandante Pedro Nunes, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.

Em declarações à TSF, Pedro Nunes adiantou que nos grandes centros urbanos vão cair "entre 20 e 30 litros de chuva por metro quadrado", pelo que são aguardadas inundações e é possível a ocorrência de quedas de árvores e de estruturas.

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil emitiu um aviso à população por causa do agravamento das condições meteorológicas, com precipitação forte e persistente, vento forte nas terras altas e agitação marítima forte em toda a costa, na sequência dos efeitos da depressão Elsa, que está a atingir os Açores.

No aviso à população, a Proteção Civil alerta para a possibilidade de "inundações rápidas em meio urbano, por acumulação de águas pluviais ou insuficiências dos sistemas de drenagem", e "inundações por transbordo das linhas de água nas zonas historicamente mais vulneráveis".

Avisa ainda que, tendo em conta as previsões do IPMA, há a possibilidade de inundações de "estruturas urbanas subterrâneas com deficiências de drenagem" e de formação de lençóis de água na estrada, além da queda de ramos de árvores, danos em estruturas montadas ou suspensas.

O agravamento das condições meteorológicas pode ainda levar a "possíveis acidentes na orla costeira" e a "fenómenos geomorfológicos causados por instabilização de vertentes associados à saturação dos solos, pela perda da sua consistência".

Ventos de 100 km/hora nas terras altas

Também o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) informou que o continente português vai ser afetado a partir da tarde desta quarta-feira e até sábado por chuvas e ventos fortes, prevendo para quinta-feira o "dia mais gravoso".

"A depressão Elsa [que está a atingir os Açores esta semana] está muito a norte do território do continente. O que vai afetar mais diretamente o estado do tempo é a passagem de umas ondulações frontais associadas a uma depressão complexa da qual faz parte a Elsa", começou por explicar o meteorologista Ricardo Tavares, do IPMA, à agência Lusa.

Em declarações à Lusa, Ricardo Tavares adiantou que o vento será "moderado a forte e muito forte nas terras altas, com ventos de 95 a 100 quilómetros/hora".

"O dia mais gravoso em termos de vento e precipitação será o de quinta-feira", explicou o meteorologista, adiantando que a situação irá manter-se nos próximos três a quatro dias, com "vento muito intenso, precipitação forte e persistente".

"Prevê-se ainda agitação [marítima] forte também na costa ocidental e amanhã também a costa sul do Algarve será afetada com ondas de sudoeste de quatro a cinco metros", acrescentou.

De acordo com Ricardo Tavares, foram emitidos avisos amarelos (o terceiro mais grave) para todo o território do continente, tendo em conta a precipitação e a agitação marítima esperadas.

Para as regiões Norte e Centro estão emitidos avisos laranja (o segundo mais grave), que serão atualizados consoante o estado do tempo o exija.

"A partir de sábado prevê-se já uma pequena melhoria, não se prevendo a permanência de ventos e precipitação tão forte", frisou.

Plano de emergência ativado em Coimbra

O presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Manuel Machado, ativou o plano de emergência às 19:00, anunciou a autarquia, prevendo uma situação de cheia no rio Mondego.

A decisão deve-se ao "comunicado emitido pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, que eleva o estado de alertaespecial para o nível laranja a partir das 19:00 do de até às 23:59 do dia 20 de dezembro", que prevê "precipitação forte e persistente para a região centro", explica a Câmara numa nota enviada à Lusa.

"Perante este quadro meteorológico e tendo em consideração que o caudal do Açude-Ponte de Coimbra [no rio Mondego] se situa nos 637 metros cúbicos por segundo, prevendo-se ainda a subida do mesmo, e a ausência de monitorização do rio Ceira, é expectável uma situação de cheia", sublinha a câmara.

Por força do "estado de emergência das situações descritas", que se podem verificar nas próximas horas no concelho de Coimbra, o plano de emergência foi ativado para "garantir a mobilização rápida e eficaz de meios e recursos nas ações de proteção civil a desencadear face às ocorrências que se possam registar", concluiu a autarquia.

Marinha reforça alerta para agravamento do estado do mar

A Marinha e Autoridade Marítima Nacional reforçou o alerta para o agravamento do estado do mar nos próximos dias, pedindo especiais precauções a pescadores e marinheiros de recreio, assim como à população em geral junto à costa.

Numa nota publicada na sua página oficial, a Marinha alerta que "está previsto um agravamento excecional das condições meteorológicas e do estado do mar para Portugal continental e para o setor Norte da região de busca e salvamento de Santa Maria, nos Açores, no período compreendido entre a tarde de 19 de dezembro e a manhã de 22 de dezembro".

A ondulação pode atingir uma altura significativa de 11 metros e "períodos médios entre os 12 e os 15 segundos" e o vento deverá registar velocidades superiores a 75 quilómetros por hora e rajadas acima dos 100 quilómetros por hora.

"É expectável que neste período ocorram aguaceiros fortes com precipitação superior a 04 milímetros por hora. Assim, a Marinha e a Autoridade Marítima Nacional reforçam a recomendação, em especial à comunidade piscatória e da náutica de recreio que se encontra no mar, o eventual regresso ao porto de abrigo mais próximo e a adoção de medidas de precaução. Recomenda-se o reforço da amarração e vigilância apertada das embarcações atracadas e fundeadas, bem como evitar passeios junto ao mar, de onde se destacam os molhes das entradas das barras e zonas nas praias junto à água", lê-se na nota.

Pede-se que sejam evitados passeios junto à costa e nas praias

A Marinha recomenda "um estado de vigilância permanente" e acompanhamento das informações meteorológicas e avisos à navegação e outros aspetos como as condições de acesso aos portos, pedindo que se evite sair para o mar até à melhoria das condições.

"À população em geral que frequente as zonas costeiras, aconselha-se que se abstenham da prática de passeios junto à costa e nas praias, bem como da prática de atividades lúdicas nas zonas expostas à agitação marítima, sendo essencial que assumam uma postura preventiva não se expondo desnecessariamente ao risco", refere a nota, acrescentando que em caso de "absoluta necessidade" de deslocação até à orla costeira é preciso "ter sempre presente que nestas condições o mar pode facilmente alcançar zonas aparentemente seguras".

A Marinha aconselha ainda "cautela" a pescadores lúdicos de pesca à cana, pedindo que evitem pescar junto a falésias e zonas de arriba atingidas pela rebentação das ondas.

[atualizado às 20.59]

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