Bastonário dos médicos defende testes quinzenais para todos os profissionais de saúde

Miguel Guimarães insistiu, esta terça-feira, numa reunião online com todos os bastonários da Saúde, no aumento da realização de testes aos profissionais, pedindo que estes sejam feitos de forma regular.

Faltavam menos de três horas para terminar o dia Mundial da Saúde (7 de abril) quando os bastonários e representantes de todas as ordens da área se sentaram para comemorar a efeméride. Cada um a partir de sua casa, numa iniciativa organizada pela Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, o primeiro a ter a palavra foi Miguel Guimarães, o bastonário dos médicos, que defendeu o aumento dos testes a todos os profissionais de saúde, repetindo-os de duas em duas semanas para garantir a segurança no trabalho.

Os profissionais de saúde fazem parte do grupo de risco e esta seria, segundo o bastonário dos médicos, uma forma de evitar o contágio de covid-19, para além do acesso ao equipamento de proteção individual adequado, assunto a que voltaram também a bastonária dos Enfermeiros ou o dos Dentistas. Segundo os dados citados pelo secretário de estado da Saúde, António Lacerda Sales, esta terça-feira, entre os 12442 infetados portugueses encontram-se 1345 profissionais de saúde: 370 enfermeiros, 240 médicos e 825 técnicos de diagnóstico, assistentes operacionais, entre outros.

Os enfermeiros - a quem a Organização Mundial de Saúde dedicou o dia de hoje - são a classe mais afetada, porque "lidam com uma falta de equipamento de proteção muito grande", disse Ana Rita Cavaco, a bastonária. Além do número de infetados, existirão cerca de dois mil enfermeiros em vigilância pelas autoridades de saúde "impedidos de prestar cuidados de saúde depois de terem estado em contacto direto com doentes com covid-19", revelou, esta terça-feira, a Ordem, que fez, na semana passada, um inquérito a 20 771 profissionais.

"Temos enfermeiros desidratados, cansados, longe das famílias há mais de 15 dias, sozinhos em hotéis": é o retrato traçado pela bastonária, a partir dos relatos que lhe chegam todos os dias. "Sinceramente esperamos que o país não se esqueça que é mais importante salvar vidas do que salvar bancos", acrescentou, pedindo uma valorização do trabalhos dos enfermeiros, que, ainda segundo Ana Rita Cavaco, levam para casa ao final do mês 900 euros líquidos, mesmo quando sujeitos a este grau de risco.

Sobre a remuneração dos profissionais de saúde, Orlado Monteiro da Silva - o bastonário dos Dentistas - aproveitou para lembrar que a profissão "continua suspensa em Portugal e por toda a Europa, exceptuando o atendimento de urgências", por causa da proximidade impossível de contornar entre médico e paciente. O que causa prejuízos económicos elevados aos dentistas, especialmente, aos que trabalham por conta própria.

"A saúde nunca foi vista como tão importante para todos nós"

Há pontos em que todos concordam: é preciso apoiar os profissionais de saúde, agradecer-lhes o seu trabalho e a saúde nunca foi tão valorizada como atualmente. "O país nunca esteve tão unido como agora em torno daquilo que é a saúde dos cidadãos. De repente, parece que percebemos que o nosso Serviço Nacional de Saúde e os setores privado e social podem dar uma respostas em conjunto", salienta Miguel Guimarães.

"A saúde nunca foi vista como tão importante para todos nós como hoje", reafirma Isabel Trindade, vice presidente da Ordem dos Psicólogos, fazendo uma ressalva: "A saúde física está em risco, mas a saúde psicológica também e temos de ter cuidado e pensar como é que vamos sair disto". Isabel Trindade pede para se evitar ao máximo tudo o que possa provocar ansiedade nas pessoas e dá como exemplo a polémica do uso generalizado de máscaras (que o bastonário dos Médicos voltou a defender). "Como vamos dizer às pessoas para usarem máscaras se não as tiverem?", pergunta, apontando que a ideia de ser aconselhada máscara, se não for acompanhada de uma oferta segura, pode "assustar as pessoas" e ter um impacto "prejudicial do ponto de vista psicológico".

Por sua vez, Delfim Guimarães, vice presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) sugeriu aproveitar "a atual situação de emergência nacional (...) para olharmos para a saúde de forma diferente. Olhamos de forma setorial para a saúde, mas quando a saúde pública é abalada, todo o Estado sofre nas suas funções. É tempo de nós - profissionais de saúde - e decisores políticos olharmos para ela como uma política central", defendeu.

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