"Até ao momento" não há infetados ou casos suspeitos no navio atracado em Lisboa

Os 27 passageiros portugueses vão ficar em quarentena em suas casas, enquanto para os outros a empresa MSC Cruises irá fretar aviões para os levar para os seus países de origem.

Até ao momento não existe qualquer passageiro infetado com coronavírus ou algum caso suspeito, no navio de cruzeiro que chegou a Lisboa.

"Até ao momento, e já a navegar há 10 dias em alto mar, não existe nenhum passageiro com covid-19 a bordo, ou mesmo algum caso suspeito", foi referido num comunicado do Porto de Lisboa.

O navio de cruzeiros MCS Fantasia, operado pela MSC Cruises, atracou às 9.00 horas no porto de Lisboa, depois de, a 9 de março, ter saído do Rio de Janeiro, no Brasil, com destino à Europa.

A bordo do navio viajam 1338 passageiros, de 39 nacionalidades (incluindo portuguesa), e 1.247 membros da tripulação, de 50 nacionalidades. A última escala que fez foi em Maceió, também no Brasil, em 13 de março, e desde essa data tem estado a navegar em direção a Lisboa.

Segundo o Porto de Lisboa, as autoridades competentes, em conjunto com a MSC Cruises, estão "a desenvolver esforços que lhes permitam repatriar os passageiros que viajam no MSC Fantasia com a maior celeridade possível".

Os passageiros portugueses, depois do desembarque, irão ficar 14 dias em quarentena nas suas residências. Para os passageiros estrangeiros, a MSC Cruises irá fretar charters para os diferentes países de origem "e será criado um corredor entre o porto e o aeroporto de Lisboa durante os próximos dias, para que os passageiros sejam evacuados por avião".

"Apenas mediante a disponibilidade dos voos os passageiros irão sair do navio com destino ao aeroporto de Lisboa, enquanto os restantes passageiros permanecerão sempre a bordo. A saída do porto para o aeroporto de Lisboa será feita em autocarros, sendo evidentemente cumpridas todas as determinações recebidas das autoridades portuguesas", lê-se na nota.

Durante esse período o navio ficará atracado no porto de Lisboa e a tripulação permanecerá a bordo. Logo que esteja disponível a confirmação das companhias aéreas, o calendário das viagens será fornecido às autoridades, nomeadamente à autoridade da saúde.

"O navio manter-se-á atracado à disposição das autoridades nacionais para as vistorias ou questionários que se entendam necessários e ainda consulta de todos os relatórios, certificados e informações necessárias", é ainda referido no comunicado do Porto de Lisboa.

Ao início da tarde, a diretora nacional do SEF, Cristina Gatões, garantiu que todos os passageiros "terão que ser objeto de testes de despistagem" ao novo coronavírus pela Direção-Geral da Saúde. "O processo relativamente aos portugueses demorará, para já, o tempo que for necessário para a Direção-Geral da Saúde fazer os procedimentos de início dos testes e obter o resultados em segurança", disse Cristina Gatões.

Os cidadãos estrangeiros também farão testes de despistagem "à medida que houver possibilidade de proceder ao seu embarque para que regressem aos países de origem", assegurou.

A diretora nacional do SEF adiantou ainda que a operação de repatriamento vai estender-se por "vários dias" e deverá começar na terça-feira.

Segundo uma nota do Ministério da Administração Interna (MAI), 27 passageiros são portugueses e os restantes são provenientes de 38 países, maioritariamente da União Europeia, Reino Unido, Brasil e Austrália.

O novo coronavírus já infetou mais de 308 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 13400 morreram. Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, há 14 mortes e 1.600 infeções confirmadas. Portugal encontra-se, aliás, em estado de emergência desde a meia-noite de quinta-feira e até às 23.59 horas de 2 de abril.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG