ANA refuta acusações e assegura "mais altos padrões de segurança" no Aeroporto de Lisboa

Investigadores do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários acusam a administração do Aeroporto de Lisboa de não ter gerido a emergência de acordo com os requisitos.

Em resposta escrita enviada à Lusa, a ANA - Aeroportos de Portugal "refuta as responsabilidades que lhe são imputadas" pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários (GPIAAF), salientando que "o plano de emergência é testado periodicamente, de dois em dois anos, com um exercício à escala total, sendo validado pela ANAC [Autoridade Nacional da Aviação Civil] ".

"A ANA - Aeroportos de Portugal e o Aeroporto Humberto Delgado - Lisboa seguem os mais altos padrões de segurança estipulados para situações de emergência, em linha com as normas e recomendações nacionais e internacionais", assegura a gestora aeroportuária.

Quanto às conclusões do relatório final deste acidente, a ANA diz que "questionou o GPIAAF sobre as eventuais irregularidades no cumprimento do plano de emergência (...), estranhando a ausência de uma resposta por parte" desta entidade.

Relativamente à falta de rigor na avaliação de risco que antecede a reabertura da pista, apontada pelos investigadores do GPIAAF, a ANA "esclarece que todos os procedimentos foram cumpridos em conformidade com a regulamentação aplicável à data".

"Depois de obedecidos todos os procedimentos, e tendo sido verificado que a pista estava liberta de objetos ou detritos (após aprovação do GPIAAF para a remoção dos mesmos), e adequada avaliação de risco, a pista foi reaberta por estarem reunidas as condições de segurança operacional", refere a gestora do Aeroporto de Lisboa.

O GPIAAF diz que "a administração do Aeroporto de Lisboa não geriu a emergência de acordo com os requisitos (PEA)", acrescentando que "a falta de uma análise de risco documentada e sustentada antes de reabrir a pista poderá ter colocado em risco a segurança operacional do aeroporto", e que "a ineficácia dos meios empregues na remoção da aeronave da pista resultou num tempo desnecessariamente prolongado de inoperacionalidade da pista 03/21".

A ANA acrescenta que, "durante todo o processo, houve contacto permanente com o presidente do GPIAAF, a quem foram reportadas em tempo real todas as informações e desenvolvimento dos acontecimentos".

Quanto "aos argumentos apresentados pelo investigador do GPIAAF", a ANA sustenta que, "em duas situações e momentos diferentes, submeteu elementos que refutavam as alegações do investigador, nunca tendo estes elementos sido considerados na elaboração do relatório".

Quanto à remoção da aeronave acidentada da pista, a gestora aeroportuária frisa que é responsabilidade da companhia aérea e que foram seguidos os procedimentos definidos no plano de emergência do aeroporto.

"A ANA coordenou com a TAP a condição que a aeronave deveria observar para proceder à sua remoção e disponibilizou os meios do aeroporto, para que fossem utilizados. Foi opção da companhia aérea que a aeronave fosse retirada com os meios da própria. Acrescentamos que o Aeroporto de Lisboa tem meios para elevação e remoção do tipo de aeronave mais frequente no aeroporto, portanto, de dimensão superior à aeronave em causa", explica a empresa.

Os investigadores do GPIAAF recomendam à ANA que "deverá ainda avaliar o seu equipamento de suporte aos operadores para remoção de aeronaves da pista, quanto a adequação e operacionalidade".

O relatório refere também que "não foi solicitada pelo gestor de operações do aeroporto qualquer tipo de análise aos intervenientes na missão de assistência à aeronave" acidentada.

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