Guarda prisional de 52 anos é suspeito da morte de PSP que socorreu vitima de violência doméstica

Agente tinha 45 anos e estava "fora de serviço", explicou a PSP em comunicado. Suspeito que fugiu já foi entretanto detido.

Um agente da PSP em Évora morreu hoje de madrugada no hospital local depois de ter sido atropelado pela viatura de um suspeito de violência doméstica, que fugiu e entretanto já foi detido, revelou a Polícia.

O homem detido pela GNR é um guarda prisional do Estabelecimento Prisional (EP) de Sintra, de 52 anos, revelou a Guarda à agência Lusa.

Contactada pela Lusa, fonte do Comando Nacional da GNR indicou que o suspeito foi detido, "às 03:50, na freguesia de Ranholas, no concelho de Sintra (Lisboa), junto ao estabelecimento prisional".

A detenção do homem, que "é guarda prisional naquele EP", foi efetuada por militares do subdestacamento de Alcabideche da GNR, acrescentou.

O indivíduo - que o Sindicato Nacional da Polícia (SINAPOL), numa publicação na sua página na rede social Facebook, considera ter atropelado "intencionalmente" o agente - encontrava-se, por volta das 11:30, ainda nas instalações da GNR em Alcabideche.

"Ainda está detido nas instalações policiais", disse a fonte da GNR contactada pela Lusa.

A Polícia Judiciária, a quem o caso foi já entregue, "está a fazer algumas ações de peritagem" e, por isso, "ainda não há informações" sobre quando o suspeito irá ser presente a primeiro interrogatório judicial, afirmou a mesma fonte.

Agente da PSP estava de folga

Em comunicado enviado à agência Lusa, o Comando Nacional da PSP explicou que o agente da PSP, apesar de estar de folga, interveio no sábado à noite numa situação de violência doméstica, que presenciou no Rossio de São Brás, em Évora.

"Ocorreu uma agressão a uma mulher, pelo seu companheiro, na via pública", às 21:45, em que o homem "arrastou a mulher pelo chão e obrigou-a a entrar numa viatura", disse a PSP.

O agente do Comando Distrital de Évora da Polícia, de 45 anos, que estava "fora de serviço", presenciou as agressões e "interveio para fazer cessar o crime em curso".

Mas, "ao tentar impedir a fuga do agressor, o Polícia foi atropelado pela viatura" conduzida pelo agressor, "sendo arrastado cerca de 40 metros" pelo mesmo veículo.

O Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Évora adiantou à Lusa que o agente "sofreu ferimentos graves e foi transportado para o Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE)", onde acabou por morrer.

No seu comunicado, o Comando Nacional da PSP confirma que o agente foi levado, "em estado muito grave", para o HESE e que, "devido à gravidade das lesões sofridas na intervenção policial, acabou por falecer", às "00:54" de hoje.

Quanto ao agressor, "conseguiu fugir", mas acabou pró ser intercetado por militares da GNR, "na zona de Alcabideche, em Sintra, após imediata difusão e alerta a todas as forças e serviços de segurança, feita pelo Centro de Comando e Controlo Estratégico da PSP".

Lamentando o sucedido e apresentando condolências, a PSP referiu ainda já ter contactado os familiares do agente, tendo-lhes disponibilizado "todo o apoio, nomeadamente psicológico".

Contactada pela Lusa, fonte do Comando Distrital de Évora da PSP revelou que a Polícia Judiciária "já tomou conta da ocorrência", tendo o mesmo sido indicado pelo Comando Nacional da Polícia, por se tratar de um crime da competência daquela força de investigação policial.

MAI manifesta "profundo pesar"

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, manifestou em nome do Governo o seu "profundo pesar" pela morte do agente do Comando Distrital de Évora da PSP.

"Em nome do Governo, manifesto profundo pesar pela morte" do agente, de 45 anos, "vítima de atropelamento após uma intervenção policial", pode ler-se na nota enviada à agência Lusa pelo gabinete do MAI.

Qualificando tratar-se de um "momento trágico", Eduardo Cabrita endereçou "as mais sentidas condolências aos familiares, amigos e a todos os polícias da Polícia de Segurança Pública que diariamente cumprem de forma abnegada a sua missão".

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