Lusa lança site sobre "fake news" para promover o debate

"Falsas notícias" são um dos maiores desafios dos dias de hoje. Além do site, a agência de informação vai organizar duas conferências.

A Lusa lançou esta quinta-feira um site dedicado ao tema das notícias falsificadas, comummente chamadas fake news, que durante este ano vai disponibilizar integralmente todos os artigos produzidos pela agência, promovendo o debate. O site combatefakenews.lusa.pt já está online e vai disponibilizar todas as notícias que a agência produzir sobre o tema.

Num ano marcado por eleições europeias, propício a um aumento de eventuais notícias falsas, a agência Lusa, em parceria com a congénere espanhola EFE, vai ainda debater a questão das fake news, organizando duas conferências, uma a realizar em Lisboa dia 21 de fevereiro, na Culturgest, e outra em Madrid em data a anunciar.

"Sabemos que as fake news são um mundo enquanto tema em si" e nesse sentido, "a Lusa, com a EFE, decidiu fazer uma conferência" sobre o tema, explicou a diretora de Informação da Lusa, Luísa Meireles, salientando que o tema está na ordem do dia. "Achámos que num ano eleitoral, em que líderes europeus e portugueses alertam para a possibilidade cada vez maior de haver notícias falsamente verdadeiras que podem desvirtuar", seria uma boa altura para discutir o tema.

Mas o debate também se irá estender ao setor dos media. "O que é que nós podemos fazer? E também, do ponto de vista operacional, para nos ensinar e para nos mostrar que há armas possíveis para combater" as fake news. Esta conferência "é bastante importante" e "penso que terá algum eco", concluiu Luísa Meireles. "O mundo está em constante mudança, está em constante evolução" e as redes sociais são boas e más, por isso "acho que deve haver a maior vigilância e nós, jornalistas, estamos na primeira linha desse combate porque somos alvos e vítimas", apontou.

Uma coisa é o erro jornalístico, outra é uma mentira

"Hoje é frequente ouvir-se as pessoas dizerem 'não, não, é verdade, porque eu ouvi na net', que é uma coisa muito difícil de desmontar. As pessoas acreditam piamente naquilo, não percebendo que ler na 'net' no site da TSF ou ler na 'net' num 'post' de Facebook são realidades completamente diferentes", realça Arsénio Reis, diretor da rádio TSF. "O grande problema é que, de facto, as pessoas não têm capacidade, ainda, para as distinguir", lamenta, assinalando a "iliteracia" mediática dos cidadãos.

"As pessoas hoje confundem, de alguma forma, aquilo que é a produção de trabalho jornalístico com algumas das informações que circulam livremente, e sem cumprirem qualquer critério jornalístico, no mundo 'online', em particular nas redes sociais, como sabemos, mas também nalguns sites, e em alguns deliberadamente", aponta Arsénio Reis. As "notícias mentirosas" são "perigosas", porque "põem todos os dias em causa" o trabalho dos jornalistas e das empresas de informação, reconhece.

Porém, importa assinalar que todos cometemos erros, incluindo os jornalistas. "Mas uma coisa é o erro jornalístico e outra coisa é uma mentira ou uma 'fake news'", distingue. No primeiro caso, quem "for atingido ou lesado" pelo erro jornalístico tem ao seu dispor instrumentos para se defender, como direito de resposta, entidades reguladoras, tribunais.

A ameaça maior é para a democracia

Ricardo Costa, diretor-geral de Informação da Impresa, considera que "a principal ameaça das 'fake news' é mais para democracia do que para os media".

"Quem consome informação e, sobretudo, através das redes sociais, porque hoje em dia as pessoas consomem informação de forma desagregada, leem coisas que não sabem exatamente quem as escreveu, sob que título é que foram publicadas, nem sequer onde é que as leram" coloca "todas as notícias ao mesmo nível", salientou o jornalista, e "esse é o principal problema".

E é por isso "que uma notícia falsa pode aparecer ao lado de outras notícias que são completamente verdadeiras, mas a principal ameaça, na minha opinião, é que obriga a aumentar o grau de qualidade do jornalismo porque cada vez que os jornalistas escrevem uma notícia errada - e isso está a acontecer muitas vezes - são acusados de estarem a fazer fake news, que são coisas completamente diferentes", diz Ricardo Costa.

Media têm que ira além da "confusão" da net

O diretor-adjunto do Público, David Pontes, considera que as fake news representam "mais um desafio" do que uma ameaça para o jornalismo e considerou a "educação para os media" como "absolutamente necessária".

"São uma ameaça quando contribuem para um clima e para um ecossistema noticioso em que as pessoas não conseguem distinguir aquilo que é jornalismo daquilo que é construção narrativa inventada, mas são uma verdadeira oportunidade porque nos faz obviamente distinguir, na confusão que está criada em termos de redes sociais, claramente daquilo que devem ser os valores do jornalismo e reafirmá-los, explicando às pessoas que estamos muito para lá da muita confusão que elas veem na 'net'", acrescenta.

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