Viajar é preciso

Neste momento de paragem, fechados os países, fechados em casa, privados da liberdade de "embalar a trouxa e zarpar", perguntamos: quando voltaremos a viajar? E quem irá viajar primeiro? Os já vacinados, com um carimbo num passaporte de vacinas? Os testados? Que restrições serão impostas? E será cada país por si ou haverá coordenação, pelo menos na União Europeia a 27?

E se estas perguntas nos assaltam, empresários e governos em todo o mundo fazem outras tantas. E fazem contas à vida. A que ritmo vai recuperar o turismo e quem estará na linha da frente? O que recuperará primeiro, o turismo de lazer ou o turismo de negócios? Que gerações sairão primeiro e de que forma irão fazer a busca de destinos e marcar as viagens? Irão valorizar a segurança sanitária acima das preocupações com a sustentabilidade? Em que medida irá o digital marcar o futuro deste negócio? Ganharão as plataformas de intermediação ainda maior peso?

É natural que o tema suscite debate e interesse intenso. O turismo é não só uma indústria que trabalha para a paz, e por isso deve ser acarinhada, como tem um peso enorme em quase todos os países, dos mais aos menos desenvolvidos. Peso pelo volume de emprego que gera (em 2019, um em cada dez no mundo; 11,2% do emprego na União Europeia); pelo relevo económico (terceira maior indústria exportadora, a seguir aos combustíveis e à indústria química. 9,5% do PIB total da União Europeia); pelo volume de empresas, sobretudo micro e PME; pelos efeitos indiretos que induz em tantas outras atividades e setores.

Por isso, a preparação e a gestão da retoma do turismo para os tempos que aí vêm é incrivelmente exigente: passa por decisões políticas, especialmente na Europa, primeiro destino turístico internacional; antecipar as tendências da procura; gerir a concorrência (feroz, entre países e entre empresas); apoiar os diversos operadores que compõem a oferta de bens e serviços prestados no turismo; acautelar e preservar a saúde das empresas (a par da saúde dos cidadãos).
É muita coisa, portanto o melhor é irmos por partes.

Mas primeiro reconhecer que em Portugal o setor do turismo é a maior atividade económica exportadora. Em 2019 foi responsável por mais de metade das exportações de serviços e por quase 20% das exportações totais. Foi a origem de 19,1% da riqueza produzida, de acordo com o relatório do World Travel & Tourism Council, que apontava Portugal como o quinto país onde é mais forte a contribuição do turismo para o PIB. Nesse já saudoso ano, o turismo atingiu números expressivos, com especial destaque para o aumento de emprego (com um peso de 6,9% na economia nacional: 336,8 mil empregos diretos); pelo ritmo de crescimento das receitas turísticas e dos proveitos globais, mais acelerados do que o aumento de dormidas; diversificação de mercados e crescimento mais acelerado do mercado interno em relação ao mercado externo.

Merece, sem qualquer dúvida, a maior das atenções. E sem complexos! Ter um setor com esta força e crescimento deve-se às nossas qualidades intrínsecas como país e ao muito trabalho e saber que levou a fazer de Portugal um destino turístico que ganha prémios e reconhecimento internacional, e aproveitar a nosso favor o crescimento global dos movimentos turísticos internacionais.

Daí haver que procurar possíveis respostas às questões que enumerei atrás. Hoje fico-me pela primeira: quando voltaremos a viajar, porque a resposta é mais simples e direta: voltaremos a viajar quando nos for restituída a liberdade de circulação que a covid-19 nos retirou.

Portanto, quando a pandemia for controlada e a estabilidade, a segurança e a confiança que tínhamos por certas voltarem. Porque a vontade está cá. Mais do que nunca, alimentada pela ânsia de tão longo fechamento. E, como desde sempre aconteceu, iremos à procura do mundo.

Prometo voltar às outras perguntas em próxima oportunidade. Com as possíveis respostas.


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