Vésperas europeias

Quando, sobretudo depois de duas guerras mundiais, as meditações e propostas do futuro à antiga sede da "luz do mundo", ficaram algumas exortações que atraíram os espíritos dos inquietos sobreviventes dessas desastrosas guerras. Sendo uma das decisões mais exigentes o fim do colonialismo ocidental, uma das declarações mais imperativas de esperança foi a prece de Nelson Mandela, quando, ao receber o Prémio Nobel (10.12.1993), falou em nome dos "seres humanos incontáveis que tanto dentro como fora do nosso país [África do Sul] tiveram a nobreza de espírito de se atravessar no caminho da tirania e da injustiça sem ambicionarem qualquer proveito próprio".

Na África de hoje, os conflitos armados e sem governação que respeite a política da Carta da ONU, a santidade desse pregador da paz e cooperação global está longe de ser acatada. Em relação à crise do continente americano parece não esquecer que a destruição brutal das Torres Gémeas de Nova Iorque "matando 3 mil homens, mulheres e crianças inocentes" levou o presidente Bush, celebrando um serviço na famosa National Cathedral onde discursaram, e oraram, o imã Muzammil Siddiqi da Sociedade Islâmica da América do Norte, o rabino Joshua Haberman, o pregador Billy Graham, o cardeal Theodore McCarrick, e Kirby Caldwell, a proclamar, depois de ver o desastre, que "é tarde para os homens e cedo para Deus".

A inquietação de Samuel Huntington, por exemplo no seu Who Are We? (2005), ficou como exemplo de inquietação, que foi, por outras razões, o sentimento global durante a última presidência dos EUA. Na antiga "luz do mundo", que queria significar Europa, a resposta mais avançada foi a proposta do Tratado Constitucional da União Europeia, de 10 de junho de 2003, por Valéry Giscard d"Estaing, enviada aos chefes de Estado e de governo, texto que veio ler a Lisboa, em sessão em que produziu uma importante definição prévia o "benemérito da pátria" Azeredo Perdigão, texto que seria substituído finalmente pela Comissão Europeia. Foi então sublinhado, entre vários comentários, que "não se tratou de lecionar sobre navegação, enquanto o barco se afunda", porque, sendo as dificuldades as que levaram a chamar ao nosso tempo "século sem bússola", é visível que houve séria tentativa para a interdependência e o respeito pela dignidade de cada já tradicional "Estado-Nação", embora inesperadamente a covid-19 tenha imposto um ataque global ao género humano, não preferindo qualquer etnia, mas conseguindo fortalecer a resposta da Europa tendo assumido reforçar a solidariedade e acompanhar na dimensão possível a globalidade da crise.

Por isso a Conferência no Porto, que a presidência portuguesa da União Europeia conseguiu ali realizar, assumiu, espera-se, uma unidade progressiva de ação. Tendo a ONU uma Declaração de Direitos frequentemente desrespeitada, é oportuno que a importância dos direitos sociais leve a decisões cumpridas com respeito pela supremacia do "credo dos valores". É de lembrar que, em 1 de setembro de 1997, o InterAction Council aprovou e proclamou uma Declaração Universal dos Deveres Humanos, em que insiste, na forma e na origem, em que "o projeto para os deveres humanos, que de regra procura equilibrar liberdades com responsabilidade, procura a passagem da liberdade da indiferença para a liberdade do envolvimento".

A iniciativa de redigir a Declaração Universal dos Deveres Humanos não é só uma forma de equilibrar liberdade com responsabilidade, é também um modo de reconciliar ideologias, crenças e opiniões políticas, consideradas antagónicas no passado... De algum modo, o sentido parece ser o de, como regra, conseguir que o dever declarado pelo direito não tenha resposta nas indiferenças pela justiça natural assumida pelo direito.
O caminho da União Europeia, obedecendo ao princípio imposto pela Declaração do Porto, terá a resposta da autenticidade. Nesta época em que a informação multiplica o número crescente de conflitos religiosos, culturais, e inquietantemente científicos, pareceu com a convicção de que são as guerras que crescem de número e consequências, e não as oportunidades de relacionar as diferenças culturais, científicas e religiosas como os desafios que não correspondem à ambição, constantemente ferida, de fazer do mundo único e da Terra casa comum dos homens, a essência de não aparecer como utopia, mas definitivamente conseguida, caminho que a Carta que a ONU e a UNESCO assinaram como objetivo jurídico de futuro comum.

Infelizmente o noticiário geral é mais rico na informação dos conflitos, incluindo notícias de que são frágeis as pregações dos profetas que pregaram a dignidade humana. Conviria valorizar o facto de que existem muçulmanos que procuram a paz com os judeus, por exemplo, não apenas no mesmo território, mas também na tolerância e na paz e no uso da tecnologia, que dinamiza Ahmed Bin Mohammed Al Jarwan. O esquecimento dessas forças é renunciar à tolerância e à paz que defendem.

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