Uma alimentação saudável para nós e para o planeta

As pessoas devem ter acesso a bons alimentos que, além de saudáveis e saborosos, não prejudiquem a sustentabilidade do planeta.

O desafio é grande. Enquanto mil milhões de pessoas no mundo passam fome dois mil milhões são obesas ou têm excesso de peso. Por outro lado, um terço dos alimentos produzidos no mundo é desperdiçado. Mais de 20% de todos os gases de efeito estufa são produzidos pela indústria alimentar. A pecuária é responsável em grande escala pela desflorestação, a poluição da água e do ar, bem como pelo declínio da biodiversidade. Precisamos de investir num sistema alimentar mais saudável e sustentável.

No final do mês de outubro, o relatório do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), publicado pela Direção-Geral da Saúde (DGS), apontava alguns erros à alimentação dos portugueses, desde logo o elevado consumo de carne vermelha, o baixo consumo de cereais integrais e o elevado consumo de sal.

Defendendo as dietas com consumos equilibrados entre proteínas animais e opções vegetais e o desenvolvimento de práticas agrícolas sustentáveis, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas alerta que o aquecimento global só poderá ser travado com a implementação de políticas que promovam uma alimentação alternativa à que temos.

Neste contexto, as future foods devem trabalhar-se em duas frentes: inovação e adaptação. É fundamental definir compromissos e metas concretas, desde a disponibilização de produtos alternativos à reformulação dos alimentos ou à redução do desperdício de alimentos ao longo da cadeia de valor. Uma alimentação diversificada e à base de vegetais pode beneficiar a nossa saúde e a sustentabilidade do planeta, mas se quisermos que os consumidores realmente alterem os seus hábitos alimentares precisamos de oferecer alternativas que sejam acessíveis e saborosas.

É aqui que a inovação ocupa um lugar de destaque, se pensarmos que precisamos de disponibilizar alimentos mais saudáveis adequados ao mercado sem comprometer o seu sabor. O desenvolvimento de alimentos e bebidas mais saudáveis e sustentáveis implica a exploração de novas formas de produção e produtos alternativos, bem como do envolvimento dos diferentes agentes - produtores com práticas sustentáveis, especialistas, academia e comunidades - de forma a provocar a mudança no sistema alimentar global.

Produzir alimentos à base de vegetais é apenas uma entre as muitas soluções para reparar o sistema alimentar mundial. O mercado de alimentos à base de vegetais está a crescer com uma taxa de crescimento anual composta de 15,8%, devendo alcançar 35,4 mil milhões de dólares até 2027.

A transição para uma alimentação mais saudável, para além de implicar uma maior diversidade de opções, requer uma reformulação e uma adaptação dos alimentos em conformidade com os mais altos padrões nutricionais, o que implica em muitos casos a redução das taxas de açúcar e de sal, além da quantidade de calorias. Por outro lado, é importante ter em conta o valor nutricional dos alimentos, garantindo micronutrientes essenciais, como as vitaminas A e D, iodina, ferro e zinco, entre outros, a partir de opções mais saudáveis que contêm uma grande quantidade de vegetais, fruta e proteínas.

Para além de alterar a nossa dieta, reequilibrar o sistema alimentar global requer uma diminuição no que diz respeito ao desperdício alimentar. Atualmente, um terço dos alimentos produzidos à escala global é deitado fora - 40% a 45% nas nossas próprias casas. As consequências económicas e ambientais são devastadoras, já que o desperdício de alimentos contribui em cerca de 8% para a emissão de gases de efeito estufa. Repensar volumes de embalagens numa adaptação contínua é um dos caminhos.

As empresas alimentares devem contribuir para a transformação do sistema alimentar mundial. O seu papel não é decidir o que as pessoas querem consumir, mas apresentar soluções saudáveis e alternativas mais sustentáveis, acessíveis a todos e benéficas para o planeta.
É ainda importante que o seu walk the talk possa contribuir para sensibilizar e influenciar a sociedade para comportamentos responsáveis e conscientes para a saúde de cada um e para a saúde do planeta.

Responsável da comissão executiva da Unilever FIMA

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