Sinais e lições para o futuro

A vitória de Rui Rio trouxe sinais claros ao PSD. O primeiro é que os seus militantes estão a consumar um divórcio óbvio com os "barões" e a respetiva máquina partidária. O segundo indício demonstra que a maior fragilidade no discurso do opositor de Rio foi percebida pelos apoiantes do partido laranja.

Note-se que Rangel não foi um candidato qualquer. Contou com um apoio expressivo da comunicação social, foi endossado pelas maiores figuras internas do Partido, incluindo algumas que Rio colocou nas suas atuais funções, como por exemplo Carlos Moedas. Rangel chegou ainda a ser recebido - estranhamente, como disse Rio - por Marcelo Rebelo de Sousa enquanto Presidente da Republica.

Rangel apresentou-se como o candidato da rutura. Várias vezes disse que não faria acordos de espécie alguma à esquerda, nem governaria com a direita (extrema ou qualquer outra). Ora cada vez mais os portugueses querem compromissos, moderação e estabilidade. Por isso mesmo, os militantes do PSD perceberam que a postura do candidato derrotado nas diretas tornaria impossível a governabilidade do país.

Tal como em Lisboa (onde o adversário de Rio venceu), ficou inequívoco que a promessa de Rangel não seria mais que uma miríade e que rapidamente estaria de braço dado com os que antes disse ser impossível celebrar acordos. E os portugueses já não aceitam a política de "tábua rasa" face a tudo o que havia sido prometido uns meses antes.

Já que se fez um apelo à memória, recorde-se o que se passou na primeira sessão da Assembleia Municipal, em Lisboa. O PSD juntou-se ao Chega sempre que conveniente, aprovando inclusive as suas propostas. Essa foi a primeira violação da imperiosa verdade absoluta do então candidato a governar sozinho.

Mesmo com mais esta reafirmação de legitimidade, a tarefa de Rio continuará a ser difícil. Portugal precisa de um PSD forte porque quanto mais qualidade tiver a oposição, melhor será o governo. E caso os sociais democratas se venham a apresentar como eventual parceiro na governação moderada, essa necessidade torna-se ainda mais premente.

Rio terá ainda outro desafio pela frente, esse mais árduo. Os seus opositores falam agora em união, mas fazem-no numa tentativa de inicio de condicionamento das listas de deputados. Assim, salientam que a "grande união" só se verá com uma vitória estrondosa do partido a 30 de janeiro. Como é para todos evidente, o que mais se espera será uma singela derrota, fosse qual fosse a liderança dos sociais-democratas.

Conseguirá Rio resistir ao acerto de contas com aqueles a quem deu palco e que agora o traíram? Ou deve continuar o seu caminho até às eleições, abrindo portas para chegar ao poder, nem que seja por via do velho bloco central que tanto deu ao país?

A moderação é bem-vinda até porque, como se constata, é amplamente apreciada pelas Pessoas, sejam elas eleitoras ou militantes de um partido. Os portugueses querem estabilidade e a certeza de que a governabilidade do país está assegurada. E quando se fala em solidez ou segurança, inequivocamente fala-se do PS. Não vivemos em período de aventureirismos ou ideais extremistas com a extrema direita. Os sinais virão e com eles as decisões de um povo sensato, como o nosso.

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