Quando deve vigiar a sua pele?

Apesar da frequência e aumento de incidência, o cancro de pele tem uma elevada probabilidade de cura quando diagnosticado e tratado na fase inicial. O autoexame e a avaliação regular por um dermatologista são de extrema importância. Saiba qual é a regra do "ABCDE" e tenha atenção a todos os sinais.

O Melanoma é o tipo de cancro cutâneo mais conhecido da população em geral e é também o mais agressivo, dado o maior índice de mortalidade e o risco de propagação a outros órgãos - sendo que, em Portugal, surgem anualmente cerca de mil novos casos. Trata-se de um tumor de pele que tem sobretudo incidência em adultos caucasianos e tem vindo a aumentar gradualmente ao longo dos anos.

A crescente incidência pode justificar-se não só pelo aumento da esperança média de vida, mas também com o acumular dos anos de exposição solar, devido a uma alteração de comportamentos que favoreceram alguns exageros. De facto, regista-se um forte crescimento da prática de desporto ao ar livre, bem como a procura da obtenção de bronzeado fora da época estival - através da excessiva frequência de solários.

Este aumento de exposição inapropriada e excessiva à radiação solar, geradora de queimaduras solares - vulgo escaldões - tem uma associação direta ao surgimento do melanoma, estimando-se que o risco de tal surgimento duplica a cada queimadura solar.

O melanoma pode manifestar-se na forma de um novo sinal na pele - em qualquer parte do corpo, mas sobretudo na face, tronco e pernas - ou pode aparecer sobre sinais que já eram pré-existentes, mas que sofreram alterações na sua coloração, tamanho ou bordo.

Pessoas com a pele clara, cabelo ruivo ou loiro, olhos claros, dificuldade em bronzear, tendência para formar sardas ou com muitos sinais de cor castanha-escura, irregulares e disseminados pelo corpo, devem estar particularmente atentas e monitorizar atentamente os sinais através da simples aplicação da regra do "ABCDE"- ou seja, Assimetria, Bordo irregular, Cor heterogénea, Dimensão superior a 5mm e Evolução (alteração).

Apesar da frequência e aumento de incidência, quando diagnosticado e tratado na fase inicial, o cancro de pele tem uma elevada probabilidade de cura. Por esse motivo, o autoexame e a monitorização são de extrema importância, bem como o acompanhamento permanente por parte do dermatologista.

De igual modo, é importante adotar medidas de prevenção como a de ter cuidado na exposição solar, evitando as horas de maior intensidade, entre as 12 e 16 horas, usar chapéu nas atividades ao ar livre, mas também óculos de sol e vestuário adequado para proteger braços e zona do decote, usar protetor solar com um índice de proteção solar igual ou superior a 30, renovando a aplicação com frequência e sempre que exista exposição à água ou transpiração - e, finalmente, evitar a utilização de produtos "bronzeadores" ou de solários.

Deverá fazer um autoexame com regularidade, recomendado de dois em dois meses, olhando para as diferentes partes do corpo - sem esquecer pés, mãos, axilas, genitais, pregas dos ouvidos e couro cabeludo. Deverá observar a pele num quarto com muita luz, utilizando um espelho grande que lhe permita ver o corpo todo e um espelho de mão. Seja meticuloso nesta observação, pode recorrer ao uso de fotografias, uma vez que estas podem ajudar a detetar novos sinais.

Não deixe de consultar o seu dermatologista para efetuar a avaliação de rotina anual, ou caso tenha alguma dúvida sobre o estado da pele. Para avaliação, o dermatologista utiliza a técnica de dermatoscopia digital, que permite uma sequenciação das imagens dos sinais a cada ano, de modo a detetar alterações que possam passar despercebidas através da avaliação com recurso a dermatoscopia manual ou no autoexame.

De igual modo, na consulta de dermatologia é realizado um mapeamento corporal, que consiste num registo fotográfico de toda a superfície corporal da pessoa, bem como dermatoscopia digital das lesões pigmentadas. Dessa forma, todas as lesões são minuciosamente avaliadas. As imagens são armazenadas para poderem ser reavaliadas e comparadas no futuro, em observação sequencial, para deteção de mudanças subtis e não detetáveis a olho nu.

Reforço que o diagnóstico e tratamento precoce do melanoma são muito importantes, porque a sua remoção cirúrgica permite elevadas taxas de cura. É caso para estar atento a todos os sinais.

Inês Lobo, coordenadora de Dermatologia do Hospital CUF Porto

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