PSD foi fundado faz hoje 47 anos

O PSD, então PPD, foi fundado em 6 de Maio de 1974, por Sá Carneiro, Balsemão e Magalhães Mota. Com quase meio século de existência, e hoje na oposição, os sociais-democratas desfrutam de ocasião soberana para regressar em breve ao poder, face à saturação, acelerada pela pandemia, que os portugueses exibem em relação ao atual Governo do PS e à fórmula política que o apoia.

São várias as hipóteses que o PSD tem para voltar a ser partido de Governo - uma hecatombe eleitoral nas autárquicas, que levasse Costa a resignar; crise política provocada pelo OE-2022 ou, então, as legislativas de 2023. Ou, ainda, a aprovação de eventual moção de censura, fruto de coligação negativa.

O PSD só foi genuinamente social-democrata até Mota Pinto. Sá Carneiro dizia que a social-democracia era uma via para o socialismo e quis aderir à Internacional Socialista. Hoje, o partido é membro do PPE. O fundador principal do PSD intitulava-se de centro-esquerda e tinha grande capacidade de decisão, aliada a visão premonitória. Uma frase célebre de Sá Carneiro -"Portugal país provisório e sucessivamente adiado" - com que combatia os Governos socialistas, ainda hoje continua atual, dados os nossos baixíssimos níveis de desenvolvimento.

A deriva direitista do PSD iniciou-se com Cavaco Silva, agravou-se com Passos Coelho, e atinge agora proporções ainda mais preocupantes com a cruzada de Rui Rio contra o regime democrático saído do 25 de Abril. Em determinadas matérias, o PSD está hoje ainda mais à direita do que o Chega. O PPD progressista e democrático de Sá Carneiro, passados 47 anos, é irreconhecível, ao ponto de se afirmar, com alguma ironia, que o primeiro líder dos sociais-democratas se deve estar a remexer no túmulo!

Creio que Carlos Moedas, apesar de dizer que não tem esse sonho, se apresenta como um sério candidato à liderança do PSD, mais ainda se cultivar, ao contrário de Rio, os valores democráticos que foram a génese do então PPD.

"Situamo-nos numa linha progressista não marxista" foi o título de entrevista a Sá Carneiro, na capa do primeiro número do "Povo Livre", órgão oficial do partido, por mim fundado. O pomo da discórdia é que Rui Rio se revela muito mais reacionário do que progressista! Que Moedas não caia na tentação desse mal.

Há uma razão de fundo para o PSD voltar ao poder. Portugal vive hoje o laissez faire, laissez passer, que é o expoente máximo do liberalismo económico, com, imagine-se, Governo dito socialista. Liberais por liberais, que venham os verdadeiros, porque os socialistas são travestis. Não estou a pensar, obviamente, no Iniciativa Liberal, que não tem ainda estofo nem dimensão de poder, mas sim em nova Aliança Democrática, eventualmente liderada por Carlos Moedas, que poderá ter a sua consagração política no congresso de Janeiro próximo.

Com Rio ou com Moedas, o PSD será em breve Governo. A pandemia destruiu Costa e o PS. Nem a melhor das vacinas os salvaria!

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