Países africanos. Cooperar capacitando

A estratégia da União Europeia para a cooperação internacional, nomeadamente com os países africanos, tem-se concentrado cada vez mais na capacitação dos agentes locais, fornecendo-lhes as ferramentas para contribuírem para o crescimento económico e a criação de empregos nos seus países de uma forma sustentada.

Esta é uma abordagem mutuamente benéfica, no sentido em que serve também para consolidar alianças em torno de algumas das principais prioridades estratégicas da União. Desde logo, os seus objetivos de sustentabilidade ambiental. Mas não só.

A atual equipa da Comissão Europeia tem vindo a renovar as ambições a este nível, apostando na criação de infraestruturas nas áreas das tecnologias digitais, clima e energia, transportes, saúde, educação e investigação. Mas também na importante qualificação dos cidadãos e das instituições públicas e privadas destes países.

É nesse espírito que se enquadram projetos-piloto como a Iniciativa de Investigação Africana para a Excelência Científica - com a sugestiva sigla ARISE (surgir/erguer-se) na designação em inglês. Neste mês de junho, 44 jovens investigadores africanos, oriundos de 38 países diferentes, foram contemplados com bolsas ARISE, que podem chegar aos 500 mil euros.

A competência e a capacidade para a excelência não são atributos exclusivos dos países e blocos mais ricos e desenvolvidos. Estão presentes em toda a parte e podem ser potenciadas em toda a parte.

A nova Agenda Estratégica de Inovação União Africana (UA)/UE, ainda em desenvolvimento, pretende multiplicar iniciativas como esta, criando verdadeiras redes de inovação entre a UE e as dezenas de países representados pela UA; desenvolvendo ecossistemas de inovação com a capacidade de terem um verdadeiro impacto nestes países do ponto de vista socioeconómico; e potenciando projetos de sucesso já existentes.

Nesta terça-feira, participei num evento, em Bruxelas, dedicado a esta estratégia, no qual marcaram presença dezenas de representantes de alto-nível de dezenas de países envolvidos. E voltei a contar a história de como, há quase 20 anos, Portugal e Moçambique foram os proponentes de um projeto colaborativo entre a UE e países africanos de ensaios clínicos nas áreas da malária, sida e tuberculose.

Na altura eu era ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Portugal. O então primeiro-ministro moçambicano, Pascoal Mucumbi, viria a tornar-se no primeiro alto-representante dessa iniciativa, conhecida pela sigla EDCTP.

Recentemente, a EDCTP, agora rebatizada como Saúde Global, desempenhou um papel decisivo no desenvolvimento da primeira vacina contra a malária.

Esta parceria é o exemplo do que pretendemos para a cooperação internacional da UE: projetos de investigação científica, aproveitando e potenciando o talento local, com benefícios claros para a comunidade.

A competência e a capacidade para a excelência não são atributos exclusivos dos países e blocos mais ricos e desenvolvidos. Estão presentes em toda a parte e podem ser potenciadas em toda a parte, para o benefício das comunidades. Criando riqueza e empregos. Melhorando a segurança alimentar, a saúde, a educação e a proteção do ambiente.

Em média, os países africanos investem cerca de 0,45% dos seus produtos internos brutos em Investigação Científica e Desenvolvimento (I&D), menos de um terço dos 1,7% investidos pela UE. É isto, sobretudo, o que nos distingue. E é esta diferença que temos de ajudar a esbater.

Eurodeputada

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