As crianças não nascem racistas

Somos todos diferentes e é a diferença que nos caracteriza e confere individualidade. Torna-nos únicos e especiais. Ao mesmo tempo, somos todos iguais. Iguais nos direitos que temos.

As crianças não nascem racistas. Nunca vi um bebé ou uma criança pequena dizerem que não querem brincar com outra criança porque ela é negra, gorda ou usa óculos. Ou porque tem o cabelo assim ou assado, veste uma determinada cor ou acredita noutro Deus.

As crianças não discriminam. São ensinadas a discriminar.

Se assim é, enquanto adultos, pais e cuidadores devemos pensar um pouco. De que forma ensinamos as crianças a ser racistas? Ou, colocando a questão ao contrário, de que forma podemos ajudar as crianças a crescer sem discriminar os outros e a aceitar a diversidade?

1. Sermos adultos modelo

Os pais são os modelos dos filhos. Assim, quando as crianças presenciam comentários ou comportamentos racistas, ainda que subtis (por exemplo, rir de uma anedota racista) é muito provável que comecem a interiorizar essa mesma forma de pensar e agir.

2. Educar para o respeito à diferença

Podemos educar para aceitar a diversidade de formas muito simples. Quando escolhemos os brinquedos sem nos preocuparmos se é uma menina ou um menino, quando falamos das outras pessoas sem nos referimos ao seu peso, cor da pele ou país de origem ou, ainda, quando valorizamos essa mesma diversidade. Ser diferente significa isso mesmo - que é diferente. Não significa que seja superior ou inferior.

3. Contrariar as generalizações abusivas

Comentários como "todos os negros são agressivos" ou "os ciganos não querem trabalhar", por exemplo, constituem generalizações abusivas, na medida em que não são tidas em conta as especificidades e idiossincrasias de cada pessoa. Este tipo de distorção ajuda as crianças a acreditarem que as pessoas que fazem parte do "seu grupo" são diversas e distintas umas das outras, enquanto "as outras pessoas" são todas iguais.

4. Promover a empatia

Ser empático significa que nos colocamos no lugar do outro e tentamos pensar e sentir como o outro. Incentive o seu filho a fazer um exercício de imaginação... e se fosse a única criança com a pele daquela cor? E se fosse a única criança a falar português na escola? E se fosse a única criança a acreditar numa determinada ideia? Como iria sentir-se? Pois é... talvez seja assim que as outras crianças se sentem.


5. Mostrar a diversidade

Seja através de livros ou de filmes, uma viagem, uma exposição ou uma conversa, exponha o seu filho à diversidade. Ensine-o a conviver com a diferença com a mesma naturalidade com que se convive com a semelhança.

Somos todos diferentes e é a diferença que nos caracteriza e confere individualidade. Torna-nos únicos e especiais. Ao mesmo tempo, somos todos iguais. Iguais nos direitos que temos. E tal como não existem os direitos dos gordos ou dos magros, os direitos dos altos ou dos baixos, também não podem existir os direitos dos brancos ou dos negros, dos heterossexuais ou dos homossexuais, dos católicos ou dos judeus. Existem os Direitos Humanos, e ponto final.

Enquanto adultos, temos a missão de educar as crianças para a igualdade, baseada na aceitação da diferença, sem que esta produza ou reproduza qualquer tipo de desigualdade. Educar para que as gerações seguintes sejam mais tolerantes e aceitantes do que nós, o que significa, afinal de contas, ajudá-las a manter um olhar puro de criança. Porque, aos olhos das crianças, o amor é de todas as cores, credos e texturas.

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