StayAway Covid. Rui Rio desatento trouxe à luz um pouco de verdade

Reclamação do presidente do PSD obrigou os desenvolvedores da app do Governo a, finalmente, porem de forma curta e concisa algo que deviam, desde o primeiro minuto, ter indicado à população.

O texto desta crónica devia resumir-se apenas à resposta dos criadores da app StayAway Covid a Rui Rio divulgada esta segunda-feira. Transcrevo:

"A STAYAWAY COVID alerta-o apenas se a pessoa infetada 1) tinha a aplicação ativa, 2) esteve a menos de 2 metros de si por mais de 15 minutos, 3) tiver recebido do médico um código aquando o diagnóstico positivo e 4) tiver inserido esse código na aplicação."

Pronto. Termina aqui a parte que precisa verdadeiramente saber. E que aparentemente o presidente do PSD ainda não tinha percebido, um mês e uma semana após o lançamento do sistema eletrónico de aviso à população criado pelo governo.

Mas talvez não possamos criticar de mais o líder social-democrata por só agora, ao fim de todo este tempo, ser confrontado com as limitações do sistema. É que em toda a comunicação oficial do sistema, bem como todo o discurso do governo, a tónica foi dada no sentido de as pessoas instalarem a app para se sentirem seguras -- e na privacidade que ela garante --, mas pouco foi referido relativamente ao seu funcionamento e às suas limitações intrínsecas.

Talvez já possamos criticá-lo um pouco mais por aparentemente ter estado desatento quanto ao primeiro texto a alertar para isso mesmo, aqui no DIário de Notícias, mas deixemos isso...

Para quem não acompanhou as notícias, o caso resume-se rapidamente: após ter sido submetido a teste de covid-19 (deu negativo) por ter estado no Conselho de Estado, faz hoje uma semana, com António Lobo Xavier (que entretanto soube estar infetado), Rui Rio veio para o Twitter reclamar que a sua app StayAway Covid não o avisou de que esteve ao pé de uma pessoa infetada.

A conta oficial da app resolveu fazer aquilo que o jornal Eco escolheu chamar dar-lhe uma "lição":

"Lição" essa que, gostaria eu, tivessem todos os portugueses recebido, de forma tão simples e sucinta, desde o primeiro minuto, em vez de sermos bombardeados com pura propaganda e marketing como andamos há mais de um mês -- incluindo por grande parte da comunicação social -- na qual realço, já agora, o próprio Eco, a julgar pelo título escolhido para a notícia em causa (mas isso seria assunto para outra discussão).

É que o tweet de resposta ao presidente do PSD é de facto curto, claro, conciso e, finalmente, passa de forma oficial aos cidadãos como funciona a app que os avisa se estiveram perto de alguém infetado, reduzindo a possibilidade de quem a usa ter uma falsa sensação de segurança por a estar a usar.

É tão brilhantemente límpido que devia estar no texto que acompanha a app, antes de se instalar.

Então, por que raio não está?

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