O canto do cisne da era dos smartphones

O Samsung Galaxy Note 8, apresentado nesta semana, parece ser uma maravilha da tecnologia. O Apple iPhone 8 (se é que se vai chamar assim), a ser mostrado no próximo mês, promete ser o expoente máximo do seu género. A concretizarem--se as expectativas, ambos serão o melhor que se consegue fazer no seu género e, simbolicamente, o atingir do topo do Everest da indústria dos smartphones.

O que se seguirá, então? Um desafio ainda maior, cujo nome genérico é, por si só, uma definição: o screenless - o computador sem ecrã. Ou melhor, que não depende exclusivamente de um ecrã.

Não quer isto dizer que os smartphones vão acabar neste ano. Pelo contrário. Todos os fabricantes continuarão a fazer aparelhos neste formato durante pelo menos mais uma década. Mas dificilmente serão muito mais avançados do que os modelos referidos. Haverá melhorias em sistemas como o DeX (que transforma o Samsung num PC ligando-o a um ecrã, teclado e rato); deverão surgir evoluções no carregamento da bateria sem fios, que o iPhone finalmente incorporará, mas é pouco provável que venha a inventar-se muito mais dentro da lógica de "retângulo com 5 ou 6 polegadas" que são hoje quase todos os smartphones.

Também não se pode afirmar que estejamos na iminência de uma revolução tecnológica que consiga, por exemplo, projetar imagens de computador diretamente na retina - ou nos neurónios responsáveis pela visão, no que será a conclusão lógica do screenless. Mas é certo que os maiores gigantes mundiais da tecnologia estão a gastar milhares de milhões para concretizar estas ideias.

Paradoxalmente, o próximo passo para o computador-telefone móvel sem ecrã até passa por... mais ecrã. A julgar pelas várias patentes registadas nos últimos meses, estão quase a chegar ao mercado os smartphones-tablets com ecrã desdobrável - aparelhos que são verdadeiramente tudo-em-um (será a realização dos minitablets ficcionados na série Westworld, da HBO, com que os técnicos programam os robôs, comunicam, etc.).

Este tipo de máquinas serão ferramentas do dia-a-dia para quase todas as tarefas, incluindo a utilização de tecnologias de realidade aumentada (de cujas potencialidades podemos já hoje ter uma ideia, como escrevi na semana passada). Serão janelas (pequenas ou grandes, consoante se dobre ou desdobre o aparelho) para sobrepor elementos virtuais sobre o mundo real. Elementos que tanto podem ser de entretenimento (Pokémons...) como informativos ou educativos (etiquetas de direção, dados sobre um objeto ou local ou, até, informações sobre a pessoa com quem conversamos).

Ao mesmo tempo, os wearables - tecnologia que se usa como peça de vestuário ou acessório - continuarão a evoluir, realizando sozinhos tarefas dos smartphones. Por exemplo, o próximo Apple Watch não precisará do telefone para enviar e receber mensagens (ainda não será nesta geração que fará chamadas, mas é só uma questão de tempo). E são cada vez mais os fabricantes que estão a criar óculos para o Mixed Reality, da Microsoft - capaz de projetar à frente dos nossos olhos "hologramas" que podemos manipular sobre o espaço real.

Estes últimos aparelhos estão na infância: são grandes, precisam de um smartphone ou PC para funcionar e ninguém no seu juízo perfeito quer ser visto na rua com um. Mas isto é só por enquanto.

Ainda há meia dúzia de anos, poucos se viam com um aparelho a monitorizar, 24 horas por dia os seus movimentos, sono e pulsações. A próxima geração dos Fitbit, provavelmente, será até capaz de medir a glicose no sangue e distinguir o período fértil da mulher. Tudo isto é computação screenless e a sua utilização poderá mudar para sempre as relações humanas. Mas deixemos isso para a próxima semana.

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