A viver com o novo Fitbit Ionic no pulso

Mais do que uma mera fitness band, (ainda) um pouco menos do que um potente smartwatch, o Fitbit Ionic chega esta segunda-feira às lojas, mas como a famosa marca de wearables começou já a entregar os primeiros exemplares a quem fez pré-reserva, passei entretanto mais de 24 horas com um destes relógios no pulso. E pude concluir que este é um aparelho com potencial para fazer frente ao Apple Watch - haja interesse do mercado para que isso aconteça.

Logo ao sair da caixa, o Ionic demonstra ser um produto de qualidade. Ao "vivo" tem um aspeto ainda mais requintado do que mostram as imagens feitas por computador que a Fitbit apresenta no seu site (ainda que os botões - são três - pudessem ter um ar menos "de plástico"). A versão que escolhi foi a cinzenta-escura, que se revela suficientemente sóbria para, se for preciso, usar com um fato (ainda que para isso seja provavelmente melhor mudar a bracelete).Comento o aspeto do aparelho pensando num utilizador homem porque haverá poucas mulheres que se interessarão pelo Ionic - exceto talvez aquelas que gostam de se ver com relógios grandes. Os 38mm de largura e os 12mm de espessura provavelmente afastarão as senhoras de pulso fino.

Num pulso mais avantajado, no entanto, o aparelho resulta elegante. E o tamanho é uma inevitabilidade, para que caiba na caixa toda a tecnologia deste novo Fitbit, além do ecrã OLED sensível ao toque com 29x21mm. Este é de excelente qualidade, com débito luminoso mais do que suficiente para que as imagens se vejam sem dificuldade à luz do Sol.

Na perspetiva de fitness watch, o Ionic é tudo o que se espera de um Fitbit de topo, e até um pouco mais. Além da monitorização permanente do batimento cardíaco - com um sensor novo que a marca afirma ser ainda mais preciso -, o sistema é capaz de detetar automaticamente e de uma forma muito exata a atividade do utilizador, como o tipo de exercício e as fases do sono. Ainda que estes serviços não sejam novidade, o GPS incorporado do Ionic é uma grande mais-valia para as atividades ao ar livre, pois permite deixar o smartphone em casa durante uma corrida, por exemplo.

É na vertente smartwatch que o Ionic revela, pelo menos por enquanto, a sua fraqueza. As funções "básicas" de um aparelho deste tipo estão lá, como a capacidade de receber notificações do telefone - de chamadas, sms, alertas de calendário e de qualquer app que o utilizador definir. E tem um leitor de música incorporado, com dois gigabytes de RAM para armazenar as faixas que se queira (a transferência faz-se por wi-fi), que se podem ouvir através de quaisquer headphones Bluetooth. Além disso, o Ionic pode também ser usado como comando do leitor de música do smartphone.

Para já, é pouco mais do que isto. Não é possível responder às mensagens recebidas através do relógio e muito menos fazer chamadas, como no novo Apple Watch Series 3. A loja de apps do Ionic acaba de nascer, pelo que é muito limitada (no dia em que escrevo este texto, a app da meteorologia recusa-se a encontrar qualquer cidade), havendo serviços prometidos que só deverão chegar no próximo ano, como o pagamento de compras utilizando a tecnologia NFC incorporada ou a ligação a sistemas de monitorização de glucose no sangue.Desta forma, o Ionic é para já um incrível fitness watch e um medíocre smartwatch. Mas tem potencial para equilibrar estas duas vertentes. Bastará para isso que surjam apps e serviços capazes de aproveitar toda a tecnologia nele incluída. Só o futuro dirá se isso vai acontecer. Mas sendo a Fitbit das poucas marcas do género verdadeiramente multiplataforma - os seus aparelhos funcionam quase igualmente bem em Android, iOS e Windows - este é sem dúvida um aparelho a ter em conta por quem não se limita a usar um único sistema no seu dia-a-dia... E não se importa de gastar 350 euros numa coisa destas.

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