Ronaldo e o legado de Mandela

Em 2010, no Mundial da África do Sul, a seleção nacional visitou Nelson Mandela. Um encontro carregado de simbolismo e que foi recordado por Ronaldo, após a morte de Madiba: "O seu legado é uma inspiração para todos." Do legado de Mandela faz parte o exemplo de liderança que deu ao mundo, a forma como mobilizou e reconciliou um país num momento de transformação único que resultou do fim do apartheid. Após décadas de cativeiro, não procurou vingança pessoal. Deu, isso sim, primazia ao interesse coletivo. Algo que o capitão português ainda tem dificuldade em fazer.

Ronaldo é o líder incontestável da seleção. É o melhor jogador, o mais titulado e ninguém o bate na aplicação no treino, numa constante busca pessoal de aperfeiçoamento das suas capacidades. Contudo, cai demasiadas vezes no erro de querer resolver tudo sozinho. Frente à Islândia, fez dez remates à baliza. Só um enquadrado. Em algumas dessas ocasiões podia ter servido um companheiro mais bem colocado. Não o fez. Um exemplo claro aconteceu nos momentos finais do jogo, nos dois livres diretos junto à área adversária. No primeiro, ainda longe da baliza, Ronaldo rematou contra a barreira, mas a bola foi cortada com a mão. Falta, agora mais perto da área, bem ao jeito do pé esquerdo de Raphaël Guerreiro, que já tinha marcado dali frente à Noruega há menos de 15 dias. Ronaldo, que em 34 livres diretos em fases finais nunca marcou um golo, podia ter dado oportunidade ao jovem talento da seleção (como fez Adrien no jogo com a Noruega). Mas, mais uma vez, quis ser ele a resolver. E falhou. Sim, é difícil, no calor do momento, ter discernimento para dar a vez a outro, principalmente para alguém com a responsabilidade de Ronaldo. Mas ter essa capacidade também é um sinal de boa liderança. Ronaldo ainda vai a tempo de o fazer neste Europeu. E até tem uma frase de Mandela para o inspirar: "Passamos por este mundo só uma vez e nunca mais terás as oportunidades que desperdiçares."

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