Mais do que um discurso

Ambição. Será talvez a característica mais evidente do grupo de Fernando Santos. O selecionador foi inteligente no discurso que adotou na preparação do Europeu. Não se refugiou em lugares comuns e foi o primeiro a dizer que Portugal vai a França lutar pelo título. Assim, sem rodeios. A mensagem do treinador tem sido repetida desde o dia da sua apresentação e chegou aos jogadores. A meta também é assumida na Federação. "Está na altura de vencer o Europeu", frisou, ainda ontem, o vice Humberto Coelho.

E há razões para a fasquia ser tão elevada? Sim, Portugal tem mais do que um discurso ambicioso. Tem Ronaldo, um dos melhores do Mundo, moralizado com a recente conquista da Liga dos Campeões, de olho na hipótese de voltar a ganhar uma Bola de Ouro (na já clássica disputa com Messi) e com noção clara de que, aos 31 anos, este Europeu é a oportunidade certa de conquistar um troféu por Portugal. A Seleção tem também um treinador que sabe bem o que é disputar uma competição a eliminar, depois do Euro 2012 e do Mundial 2014 pela Grécia, um conhecimento que foi relevado, por exemplo, por José Mourinho, outro que também não hesitou em colocar Portugal entre os candidatos à vitória. Tem um Quaresma supermotivado e em grande forma, apostado em ser titular. Por outro lado, há que contar com o brio de Nani, outro atleta acima da média, que terá de empenhar-se para não perder para Quaresma o lugar no onze que todos pensavam ser seu. A seleção tem ainda, entre os jogadores, um misto de juventude e veterania (Renato Sanches e Ricardo Carvalho estão separados por 20 anos), irreverência e experiência, que normalmente resulta bem em qualquer equipa, pois são características que se complementam. E tem, muito importante, o apoio da comunidade emigrante em França - desta vez, a frase "vai ser como jogar em casa" faz mesmo sentido.

No final, é evidente, até pode correr tudo mal. Faz parte do futebol. Mas a ambição (que até serviu de mote para a campanha publicitária de um banco) é legítima e tem suporte na realidade.

PS: "É preciso ter calminha." Reação de Fernando Santos após o 7-0 à Estónia. Mais uma vez bem, agora na gestão da euforia nacional.

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