Golos na hora certa

O Portugal-Hungria foi, de longe, o jogo mais emocionante do Euro 2016. A seleção esteve três vezes em desvantagem, mas conseguiu o objetivo mínimo. O empate bastou para chegar aos oitavos, sendo certo que, mais uma vez, Portugal foi superior ao adversário mas não venceu. É importante reter que três empates com Islândia, Áustria e Hungria são um mau sinal. Esperava-se mais da seleção. A boa notícia é que Ronaldo regressou aos golos, num dia que começou de forma atribulada... O objetivo do passeio matinal da seleção, antes do decisivo jogo com a Hungria, era descomprimir. Mas saiu tudo ao contrário. Uma confusão pegada, com dezenas de seguranças a separar os jogadores da multidão de adeptos que foi acompanhando os passos dos atletas, com gritos de incentivo, é certo, mas criando um ruído desnecessário, que é a antítese do momento de tranquilidade que se queria proporcionar. Ronaldo perdeu a cabeça e atirou o microfone de um repórter da CMTV para o lago. Um pouco mais de cuidado no planeamento do passeio teria evitado tudo isto. Que se retirem lições para o futuro. Com o mal feito, rapidamente as imagens chegaram aos quatro cantos do mundo, mostrando um capitão incapaz de manter o sangue-frio. Em simultâneo, outras imagens faziam o mesmo caminho - as que mostravam o espantoso golo de livre de Messi frente aos EUA. Durante horas foi assim: Messi, o predestinado vs. Ronaldo, a bomba-relógio. Felizmente, para ele e para Portugal, Ronaldo também "rebentou" no campo: dois golos e uma assistência. Decisivo, portanto. Estas novas imagens não passam uma esponja no que se passou de manhã, mas ajudam (e muito) a recuperar uma evidência: o português é um dos melhores do mundo e há que contar com ele para o que falta do Europeu. Os dois golos chegaram, por isso, na altura certa. Tal como o da Islândia, nos descontos frente à Áustria, por permitir a Portugal, se for progredindo na prova, evitar equipas como Espanha, Itália, França, Alemanha ou Inglaterra. Mas, para já, a preocupação é a Croácia, uma equipa claramente superior a todas as que enfrentámos até aqui. Importa corrigir os problemas defensivos. No resto, ontem ficou a certeza que um meio-campo com William, João Mário e Renato e um ataque com Ronaldo, Nani e Quaresma fazem aparecer um Portugal mais forte.

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