A noite da consagração do 'indie light'?

Já tínhamos visto nomes de "colheita" indie (ler "independente" ou "alternativo" como sinónimos próximos) a triunfar no espaço dominado pelo gosto mais afinado segundo as tendências e modas do grande mercado que habitualmente vence nos Grammys. Já vimos nomes como os Kings of Leon, Arcade Fire ou Bon Iver entre os vencedores de prémios nas quatro categorias principais - Álbum, Gravação, Canção e Revelação do Ano - nas mais recentes edições destes prémios. Porém nunca o espaço indie esteve tão em evidência como neste ano, arrebatando os quatro prémios principais, não deixando nem um para outras vozes de outras lides...

Esta premiação tão focada em nomes de berço "alternativo" reforça um cenário que tem vindo a ganhar forma nos últimos tempos e que, tal como nos anos noventa assistiu à transformação de nomes como os Nirvana, Pearl Jam ou Massive Attack em fenómenos de grande dimensão, agora abre alas a uma nova geração de artistas e bandas com origens longe dos polos pop e R&B que têm originado os maiores casos sérios de popularidade global dos últimos anos.

A escolha (nos Grammys) de nomes como os Fun, Gotye ou Mumford & Sons, em detrimento de uns Black Keys ou Jack White (igualmente nomeados entre estas mesmas categorias maiores), traduz todavia a consagração de uma noção de música indie light que anda por aí a ganhar adeptos entre discos e palcos. Uma música "alternativa" por princípio, mas na verdade sem o fulgor intenso da diferença ou aquela marca de personalidade ou ousadia que faz as verdadeiras identidades "alternativas". No fundo, uma música tão despida de intensidade quanto o foi o entediante smooth jazz, que fez escola em finais dos noventas. Mas que, e não tenhamos dúvidas, é espaço que vai conquistar mercados nos próximos tempos. Entre nós, inclusivamente...

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