Voto populista vale o que quisermos

As reações às eleições holandesas foram de alívio, viessem da Comissão Europeia, do governo alemão ou da presidência francesa. Foram também reações interesseiras: Jean-Claude Juncker vê no vencedor Mark Rutte um aliado na defesa da União Europeia, enquanto Angela Merkel e François Hollande esperam que a derrota de Geert Wilders prenuncie a derrota da Alternativa para a Alemanha e da Frente Nacional nas eleições que se aproximam nos seus países. A Holanda, essa, sairá agora por uns tempos dos noticiários televisivos fora de portas. O sistema proporcional fomenta uma abundância de partidos no parlamento e obriga a maçadoras negociações para formar governo. A não ser que Rutte, um político liberal, dê o dito por não dito e convide o partido islamofóbico a entrar na coligação, a Holanda deixará de gerar paixões e tensões. Mesmo Recep Erdogan terá menos argumentos para atacar os holandeses de modo a ganhar os votos dos turcos no referendo com que quer reforçar o poder presidencial. Mas com as presidenciais francesas e as legislativas alemãs voltarão os debates sobre a chamada ameaça populista, seja sob a forma de Marine Le Pen seja sob a sigla AfD. E aí será bom pensar no que levou à derrota de Wilders. Há quem diga que foi o braço-de-ferro do primeiro-ministro Rutte com a Turquia, outros que foi o aumento da participação eleitoral. Um misto de ambos, é o mais certo. Copiar temas da agenda populista, como fazem alguns políticos sobretudo em França, é uma estratégia com riscos. Mas ir votar, resistir à tentação da abstenção, é um ato cívico. E isso depende de cada um de nós, de forma a podermos provar que a sociedade ocidental não se rendeu aos populistas que, no fundo, continuam a ser uma minoria na Europa como nos Estados Unidos, como se pode ver pelos números à lupa da eleição de Donald Trump.

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