Todos contra todos: o sonho dos jihadistas

França uma vez mais. Porquê? Tenho uma suspeita: dos três países europeus com maior número de muçulmanos, é aquele onde a origem árabe é a predominante. Na Alemanha, também com cinco milhões de muçulmanos, o grosso da comunidade tem raízes na Turquia. E no Reino Unido, onde são três milhões, a maioria vem da Ásia do Sul. Assim, para o Estado Islâmico, com território no Iraque e na Síria e um suposto califa árabe, seria mais fácil cativar candidatos a jihadistas de origem magrebina. E é verdade que os sucessivos terroristas, do Charlie Hebdo a Nice, passando pelo ataque ao Bataclan, têm sido identificados como argelinos, marroquinos ou, no caso de agora, tunisino, mesmo que nascidos na Europa. Mas há uma lógica ainda mais terrível nesta fixação jihadista com França e que é envolver toda a comunidade muçulmana e não apenas uma minoria de extremistas. Isso passaria por uma estratégia de provocação constante, por uma sucessão de atentados, que motivasse uma retaliação estúpida contra muçulmanos só por serem muçulmanos. Aí o Estado Islâmico, acossado em Mossul e Raqqa mas ainda capaz de atrair fanáticos, teria conseguido o seu objetivo de transformar uma estratégia terrorista em choque de civilizações. Uma vez mais, o terreno francês é visto como propício. O discurso anti-islâmico da Frente Nacional é sólido e o partido tem ganhado força. Nada serviria melhor os interesses do jihadismo do que um conflito entre a extrema-direita e a comunidade muçulmana. Ora, é isso que é prioritário evitar. Até porque este tipo de terror, como o do camião, pode vir de lobos solitários, criminosos em busca de causa, e é quase impossível de prevenir. Se não se pode travar todos os atentados, que se impeça o todos contra todos.

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