O avião russo e o olho por olho dos jihadistas

Olho por olho, foi a promessa da Al-Qaeda quando os russos começaram a bombardear na Síria os jihadistas. "A Rússia será derrotada", garantiu logo a seguir o Estado Islâmico. Um mês depois, um avião comercial russo cai no Egito e um tweet jihadista reivindica atentado. E anuncia que mais virá: "saibam ó russos que não há lugar para vós no país dos muçulmanos, nem na terra nem no ar". Quer isto dizer que foi terrorismo o que aconteceu ao Airbus A321 que seguia de Sharm el-Sheik para São Petersburgo? Talvez, mas os russos estão na mira, sem dúvida.

Já em abril, o general Smirnov, número dois do FSB, o herdeiro do KGB, admitia ser real a ameaça, falando até de 1700 cidadãos russos a combater pelo Estado Islâmico. E há dois dias, a AP reportava o alastrar do apelo à jihad no Cáucaso.

Putin usou a segurança interna como um dos argumentos para intervir na Síria em apoio de Assad, também seu único aliado no Médio Oriente. O que não significa que o presidente russo não tivesse consciência do risco de retaliação. Com um califado na Síria e no Iraque, o Estado Islâmico conta com obediências várias, desde o Boko Haram na Nigéria ao grupo que no Sinai desafia o exército egípcio, o que faz longo o seu braço. Já para não falar de células na Europa, com o MI5 a alertar há dias que se prepara um grande atentado no Reino Unido.

Os russos passam assim a estar nas prioridades assassinas do Estado Islâmico, que não terá dificuldade em catalogá-los de velhos inimigos do islão, basta propagadear a guerra na Chechénia ou a invasão do Afeganistão. Ora, esta última traz-nos alguns ensinamentos: foi para lutar contra Moscovo que a Al-Qaeda nasceu, mas foi também no Afeganistão que uns anos depois bin Laden planeou o ataque às Torres Gémeas, já com os americanos como inimigo principal. Quando irão Rússia e Estados Unidos perceber que os jihadistas os odeiam por igual. E que deviam unir-se contra o Estado islâmico?

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