Jihadismo e nazis

Os alemães sabem bem o que é o terrorismo. E nem sequer é preciso remontar ao período entre guerras, quando a extrema-direita chegou a matar um ministro e os comunistas chefes da polícia. As décadas de 1970 e 1980 foram terríveis, com a vaga de atentados do Baader-Meinhof, nome das principais figuras do grupúsculo de extrema-esquerda, mesmo que o mais mortífero dos ataques terroristas até fosse obra de um neonazi, na Oktoberfest em 1980. E Munique já tinha oito anos antes, durante os Jogos Olímpicos, assistido a outro episódio de terror, dessa vez pelos palestinianos do Setembro Negro.

Nos últimos dias, o terror de repente regressou. Primeiro o ataque à machadada num comboio bávaro, que fez vários feridos. O autor foi um refugiado afegão, com o Estado Islâmico a reivindicar de imediato. Agora este tiroteio num centro comercial em Munique (a capital da Baviera parece ter má sina). Quem são os atacantes? Há jihadistas a felicitarem-se na net, há o jornal Bild a apontar a pista neonazi. Bizarra contradição. Afinal, tem sido a ameaça da invasão islâmica a alimentar a nova popularidade da extrema-direita.

Há muito em causa. A Alemanha no próximo ano tem eleições e pela primeira vez há um partido que promete entrar no Bundestag e sentar-se mais à direita do que a CDU/CSU da chanceler Merkel. Essa AfD, que nasceu partido antieuro e agora se revela xenófoba, obteve um quarto dos votos nas eleições regionais na Saxónia-Anhalt e surge nas sondagens nacionais acima dos 10%. Faz da recusa dos refugiados o principal ponto do seu ideário.

Tudo o que for terror que se possa associar aos refugiados (um milhão, quase todos muçulmanos) servirá para fortalecer a AfD, sigla para Alternativa para a Alemanha. Assustador. E se tiverem sido mesmo os neonazis, como vão os alemães reagir?

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