A fé de Sánchez numa geringonça à espanhola

Talvez seja de Portugal a culpa de Espanha não ter conseguido formar governo e seis meses depois ir de novo a votos. Cá como lá, o governo de direita ganhou as eleições mas perdeu a maioria absoluta; cá como lá, era possível construir uma alternativa ancorada à esquerda.

O problema é que as coincidências não eram semelhanças e, como o tempo provou, lá não havia condições mínimas para Pedro Sánchez tentar imitar António Costa e chegar a primeiro-ministro.

Recordemos: os socialistas espanhóis tiveram o pior resultado de sempre, a novidade Podemos ameaça tirar-lhe a liderança da esquerda e uma coligação de governo para ter maioria absoluta exigiria incluir partidos de centro-direita ou nacionalistas. Pior ainda, por surpreendente que tenha sido o apoio de comunistas e bloquistas ao PS - e muito se falou das posições sobre a NATO e a UE -, surpreenderia sim se o PSOE aceitasse a forma laxista como o Podemos olha para a unidade espanhola, defendendo o referendo de autodeterminação na Catalunha.

Pois, enganaram-se aqueles que imaginaram uma geringonça à espanhola saída das eleições de 20 de dezembro. Tempo perdido. Todas as sondagens apontam para um resultado no dia 26 que possibilitará a solução que já devia ter sido tentada: um governo liderado pelo PP, possivelmente com Mariano Rajoy, apoiado pelo Ciudadanos, de Albert Rivera, e tolerado pelo PSOE, provavelmente já sem Sánchez na liderança.

E que resultados são esses? Vitória reforçada mas curta do PP, subida do Podemos (agora Unidos Podemos graças à adesão dos comunistas ao movimento de Pablo Iglesias), PSOE remetido a terceira força e Ciudadanos um pouco melhor. Resta esperar quem tentará iniciar a recuperação do PSOE, vítima do Podemos mas também da fé absurda de Sánchez em poder criar a sua própria geringonça.

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