A saga do marketing

Há uma perturbante atualidade simbólica na sugestão metafórica que preside à construção do universo de ficção da saga The Hunger Games. A juventude que é compelida a participar em jogos letais, transmitidos pela televisão para uma população apática, envolve contundentes paralelismos com tempos menos futuristas... Acontece que uma boa ideia de ficção não é, obrigatoriamente, uma base sólida para sustentar as exigências de muitas franchises contemporâneas. Recorde-se a patética mediocridade em que desembocou a saga Twilight, depois de ter começado com um interessante filme assinado, em 2008, por Catherine Hardwicke. Iniciado em 2012 com uma realização de Gary Ross, o historial de The Hunger Games não terá chegado a níveis tão deprimentes, mas este A Revolta - Parte 2 ilustra os dois pecados mortais de uma produção que já só obedece às imposições de um marketing sem qualquer gosto cinéfilo: primeiro, um prolongamento postiço da própria ação, obrigada a "esticar" um pouco mais de filme para filme; depois, uma banalização dramática de personagens e situações que faz, por exemplo, que a campanha de cartazes seja visualmente mais rica do que o próprio filme (aliás, tal como acontecia na Parte 1). No limite, a cena final, revelando--nos o destino familiar de Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) pertence menos a um genuíno cinema de aventuras, evocando mais a iconografia de um banal anúncio de champô ou iogurtes biológicos. É bem verdade que, nas últimas décadas, envolvendo criadores como Steven Spielberg ou Tim Burton, as franchises de Hollywood têm gerado algumas inesquecíveis maravilhas. O certo é que, com o passar do tempo, alguns filmes parecem feitos pelos seus contabilistas - não é, definitivamente, a sua especialidade.

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