O SEGUNDO LIVRO DO PROFETA JONAS

Dois mil e quinhentos anos depois da primeira vez, a palavra do Senhor foi novamente dirigida a Jonas, filho de Amitai, nestes termos: "Levanta-te, vai a Nínive, a grande cidade, e anuncia-lhe que a sua maldade subiu até à minha presença." Jonas levantou-se e foi a Nínive, segundo a ordem do Senhor. Nínive era uma cidade imensamente grande, e eram precisos três dias para a percorrer. Jonas entrou na cidade e andou um dia inteiro a apregoar: "Dentro de quarenta dias, Nínive será destruída."

Os habitantes de Nínive acreditaram em Deus. Rapidamente se espalhou pela Internet a sua mensagem. Ao terceiro dia, Jonas foi convidado para o principal programa de informação televisiva da cidade, que durava 60 minutos.

Depois da reportagem inicial, o apresentador disse: "Mas que maldade é essa de que fala o Deus de Jonas? Que coisa tão horrível fizemos nós, afinal? Para nos ajudar a responder as estas perguntas temos connosco os dois líderes dos maiores partidos nacionais, a quem pedimos que se pronunciem sobre o que ouvimos."

Passada a palavra ao presidente do grande partido da direita, ele afirmou que compreendia bem a mensagem de Jonas. De facto, Nínive estava perdida. No meio de tanto deboche e licenciosidade, malícia e roubo, com a crise financeira, a cidade vivia uma clara decadência. Os valores tradicionais da família e honra eram esquecidos e perseguiam-se os cidadãos trabalhadores, inovadores, empreendedores. O Estado não era pessoa de bem e a burocracia estrangulava a sociedade. Não admirava que, dentro de quarenta dias, Nínive fosse destruída.

Pelo seu lado, o secretário-geral do principal partido da esquerda, discordando violentamente do que dissera o opositor, disse também compreender a mensagem de Jonas. De facto, Nínive estava perdida. No meio de tanta exploração e opressão, ganância e estupidez, com a crise financeira, a cidade vivia uma clara decadência. Os valores progressistas da justiça e igualdade eram esquecidos e perseguiam-se os trabalhadores, pobres e democratas. As empresas eram predadoras e os capitalistas estrangulavam a sociedade. Sim, não admiraria se dentro de quarenta dias Nínive fosse destruída.

Interpelado, Jonas disse-se satisfeito por concordarem com o que ele dizia. Aliás, o povo aderira à sua palavra. Mas sentia-se perturbado por ninguém parecer consciente da gravidade da situação. Dentro de quarenta dias, Nínive ia mesmo ser destruída!

Foi-se para intervalo e, após vinte minutos de compromissos comerciais, o apresentador perguntou a Jonas afinal a que seita, movimento ou nova religião ele pertencia. O enorme interesse de toda a grande cidade de Nínive pelas suas palavras provinha da curiosidade que os habitantes, sempre tolerantes, tinham por novos cultos e misticismos. Jonas respondeu que não pertencia a nada de novo. Era Deus, o Deus que se celebrava nos templos da cidade, que o tinha enviado.

O apresentador e os dois políticos ficaram visivelmente desiludidos ao descobrirem que ele era apenas mais um padre. Isso ia fazer descer muito as audiências do show. Jonas assegurou não ser sacerdote, mas aproveitou o silêncio para repetir a mensagem. Então, um dos políticos, visivelmente irritado, disse: "Esse seu Deus deve ser muito mau para destruir tanta gente por simples capricho."

Jonas respondeu: "O meu Deus não destrói. Ele é um Deus clemente e compassivo, lento para a ira e rico de misericórdia. Ele avisa. Ele manda-me a mim avisar. A destruição de Nínive é vossa, como aliás há pouco os senhores explicaram. Mas se todos se arrependerem, ordenarem um jejum e se vestirem de saco, do maior ao menor, o mal da cidade acaba. Se os vossos rei e príncipes se levantarem dos tronos, se cobrirem de saco e sentarem na cinza, se decretarem que todos clamem a Deus com força, então a cidade não se destrói. Se cada um se converter do seu mau caminho e da violência que há nas suas mãos, quem sabe se Deus não se arrependerá e acalmará o ardor da sua ira, de modo que não pereçam? Sei que é assim. Já o vi acontecer aqui há muito tempo."|

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