O pequeno faz de conta do smoking

Pablo Iglesias, o líder do esquerdista Podemos, foi de smoking e laço à gala dos prémios Goya, os Óscares espanhóis. Em Espanha nota-se mais porque lá diz-se "esmoquin y pajarita." Então, porque às audiências com o rei ele acudira em mangas de camisa, tem sido um escândalo. Polémica dos tempos modernos, que merece alguma atenção.

Não é como a histeria do perigo comunista professada por alguns dos nossos intelectuais, alertando para a distribuição de injeções para sessões atrás da orelha no posto de saúde na Quinta da Marinha. Este, o português, sim, é um Carnaval para se levar a mal, não é como o do smoking, de que se ri, em Espanha.

O presidente da gala dos Goyas avisara dias antes: "O Pablo Iglesias nem se atreva a aparecer sem smoking." Disse-o, sorrindo. Pronto, o esquerdista apareceu de "esmoquin" e a maioria entendeu que ele disfarça-se é quando se arma em sans-culottes (versão Revolução Francesa), patuleia (versão Maria da Fonte) ou de colarinho à Mao. Aí, sim, não no salão dos Goyas, é que Pablo Iglesias é faz-de-conta.

Sendo assim, em vez dos medos de antanho, quando a URSS ameaçava e infiltrava (enfim, existia), estamos mais preparados para debater e perceber a política moderna - incluindo essa extrema-esquerda que chegou ao poder na Grécia, apoia o Governo em Portugal e talvez venha a governar Espanha.

Os líderes da social-democracia alemã, no fim do século XIX, violavam o protocolo vestimentar nas galas do imperador Guilherme II - eram, então, companheiros ideológicos de Lenine. A seguir, e porque perceberam do perigo real e vizinho dos bolcheviques, quando foi a vez de chegarem eles ao poder já levavam labita e gravata (e hoje estão no governo com a senhora Merkel). Mas na sociedade do espetáculo é mais rápida a evolução têxtil - em semanas, Pablo Iglesias passou da camisa de fora da calças para o smoking. E não saiu do lugar ideológico.

Ora, em vez do laço ou colarinho aberto eu queria era saber do que Iglesias pensa, e quer fazer, do aperto da Europa com as burkas de espírito e do quotidiano do radicalismo islâmico. Isso, sim é de aqui e agora.

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