Marx ou Maurras, já era. Agora é Silicon Valley

O nosso debate recente sobre o fim dos cartazes políticos confirma-se lá fora. Com este brinde: as alternativas já se tornaram o instrumento principal das campanhas eleitorais.

Jean-Luc Mélenchon, político à esquerda do PS francês, já anunciou a sua candidatura para as presidenciais da primavera de 2017. Vejamos o que se sabe das suas propostas. Semana de 30 horas? Felicidade universal?... Atualizem-se, homens de pouca fé na modernidade! No anúncio da sua corrida ao Eliseu, o mais concreto que Mélenchon disse foi: "Tenho a mesma plataforma de Bernie Sanders", referindo-se à vedeta das primárias americanas que anda a trocar as voltas a Hillary Clinton.

E, não insistam, ó saudosos do velho mundo, com "plataforma" o francês não se referia a uns quaisquer cinco ou seis pontos programáticos. Ele falava do software que usa, o NationBuilder, com que espera vir a conquistar, pela Internet, os jovens eleitores franceses. Na verdade, Mélenchon enganou-se, o que Sanders utiliza é a plataforma interativa Blue State Digital, mas não são essas minudências tecnológicas que vêm ao caso. O ponto é: a tão ideológica França rendeu-se à Net. Marx ou Maurras, já era. Agora é Silicon Valley.

As nossas últimas eleições, as legislativas de outubro e as presidenciais de janeiro, também indicaram o fim da velha maneira de fazer campanha. O PS, com aqueles desastrados anúncios com figurantes que não sabiam o que estavam a propagandear, deu a machadada final no prestígio dos cartazes eleitorais. Poucos meses depois, prescindindo totalmente deles, Marcelo sublinhou a irrelevância dessa coisa tão cara, que ainda por cima exigia grandes esforços militantes e desfeava a paisagem e a cidade.

Abandonámos o velho mundo da propaganda eleitoral, dizendo-o à nossa maneira, sempre discreta e de cernelha. Agora só falta também saltarmos para o admirável mundo novo.

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