Da infanta de Espanha a 20 socialistas de Coimbra

Hoje, o jornal El País publica uma magnífica crónica de Elvira Lindo, jornalista e escritora. Ela escreve sobre a infanta Cristina, a irmã do rei de Espanha, que se senta no banco dos réus por ter beneficiado de fundos públicos obtidos por crimes do seu marido Iñaki Urdangarin. Apesar da acusação, Cristina Federica de Borbón y Grecia, sexta na linha sucessória, recusa-se a abdicar dos seus direitos ao trono de Espanha. O título da crónica: "Os olhos duma mulher obstinada."

Cito a crónica de Elvira Lindo porque ela está magnificamente escrita, dura, leal e sensível. E porque o assunto, sobre um tema que não nos é próximo, permite-nos pensar e sentir, sem a animosidade partidária de coisa doméstica. "Vejo", repete a cronista, "o rosto duma mulher que não compreende o que se passou...". Um mulher no banco dos réus, cujo rosto hierático insiste em "não ouvir a indignação dum povo que assistia ao relato estupefacto dos negócios abusivos do seu marido."

A cronista demora-se sobre essa incapacidade de, por vezes, os homens e mulheres não reconhecerem os erros próprios, apesar deles serem notórios e prejudicarem o interesse dos seus. Elvira Lindo remata, sobre a infanta: "Talvez seja a hora de que alguém, talvez a sua mãe, lhe explique que está equivocada."

Por ironia, esta história de princesa é publicada no mesmo dia em que o Jornal de Notícias relata um caso republicano no PS de Coimbra. Em 2011, vinte socialistas coimbrões modificaram centenas de documentos para falsear uma eleição interna. Um crime que o Ministério Público investigou e, para não levar os criminosos a tribunal, negociou com eles uma punição: têm dois anos para cumprir trabalho comunitário. As prisões estão cheias, admite-se o acordo. Mas o olho da rua não está e, portanto, espera-se em breve a notícia de que esses vinte canalhas foram expulsos do PS.

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