Conto infantil foi a votos na Holanda

O extremista Geert Wilders disse ontem, decorriam as eleições holandesas: "Aconteça o que for, o génio não reentrará na garrafa." Ele referia--se a uma das lendas recolhidas pelos irmãos Grimm, O Génio na Garrafa. A alusão é tanto mais eficaz quanto o conto infantil em holandês chama-se De Geest in de Fles, sendo geest, génio, uma tangente ao nome pessoal de Wilders, Geert. O génio (perfume, espírito...) que Geert Wilders espalhara nestas eleições nunca mais voltaria a ficar engarrafado - foi esta a mensagem do político. Na verdade, no conto dos irmãos Grimm, o génio que fora fechado numa garrafa foi solto por um pequeno camponês. Em liberdade, o génio pôs-se a ameaçar o salvador. Mas o miúdo, pela lisonja ("como és tão poderoso, se nem consegues voltar outra vez para a garrafa?"), enganou-o. Geert, perdão, o geest, reentrou na garrafa que, logo, foi tapada. Custa ver as vantagens que um político pode tirar ao identificar-se com o génio da garrafa. Fraco, brutal e enganado são as três fases por que este passou no conto. Herói é o miúdo - generoso e esperto. Mais valia a Geert Wilders ter recorrido a outro conhecido conto infantil dos irmãos Grimm, em que o Lobo Mau come o Capuchinho Vermelho. Mas mesmo aí não se safava: no fim, o caçador mata o lobo, estripa-o e salva o Capuchinho. Ontem, votos contados, um político decente engarrafou o extremista Wilders... Mas, atenção, isto não quer dizer que os miasmas do geest não andem por aí.

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